Falso: vacinas não provocaram a morte de 150 mil pessoas nos EUA

·2 minuto de leitura
  • Texto foi publicado em site que permite o envio de comentários de qualquer cidadão

  • Monitoramento de efeitos adversos após a aplicação da vacina é feito por autoridades sanitárias

  • Entenda como é feita a liberação de um imunizante no Brasil

Um artigo publicado no site do governo dos Estados Unidos diz de forma enganosa que, até o dia 28 de agosto de 2021, 150 mil pessoas morreram em decorrência da vacina contra a Covid-19. No entanto, não é correto fazer tal afirmação.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (Centers for Disease Control and Prevention, em inglês), até o dia 27 de setembro – data da última atualização – o órgão recebeu 8.164 notificações de mortes de pessoas que receberam a vacina contra o novo coronavírus nos Estados Unidos.

No entanto, a entidade ressalta que os óbitos reportados não necessariamente possuem relação com o imunizante. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano diz ainda que “a FDA [agência federal que administra alimentos e medicamentos] exige que os profissionais de saúde relatem qualquer morte após a vacinação com COVID-19 ao VAERS [Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas], mesmo que não esteja claro se a vacina foi a causa. As notificações de eventos adversos ao VAERS após a vacinação, incluindo mortes, não significam necessariamente que a vacina causou um problema de saúde.”

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O link do estudo foi compartilhado pelo blogueiro bolsonarista, Allan dos Santos, em suas redes sociais. Até o momento da publicação da reportagem, o conteúdo foi compartilhado por 5.812 pessoas no Twitter e visto por 23 mil pessoas no canal do influenciador no Telegram.

Conteúdo foi compartilhado por Allan dos Santos em suas redes sociais (Foto: Twitter/Reprodução)
Conteúdo foi compartilhado por Allan dos Santos em suas redes sociais (Foto: Twitter/Reprodução)

A publicação direciona o usuário para o Regulations.gov, site do governo norte-americano que tem como objetivo incentivar a participação dos cidadãos nas tomadas de decisões por meio de comentários. Embora a plataforma esteja hospedada em um domínio do governo norte-americano, nem todos os documentos e opiniões são oficiais.

O blogueiro bolsonarista também compartilhou a peça de desinformação em seu canal no Telegram (Foto: Telegram/Reprodução)
O blogueiro bolsonarista também compartilhou a peça de desinformação em seu canal no Telegram (Foto: Telegram/Reprodução)

O documento é assinado por Jessica Rose e Mathew Crawford a afirmam que o artigo é baseado em uma hipótese. Ao fazer uma busca pelos nomes dos profissionais no Google, é possível verificar que eles estão ligados a um grupo que se diz preocupado com vacinas contra a Covid: “Não apoiamos vacinas inseguras”, diz a descrição do site.

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o órgão responsável pela avaliação e aprovação de medicamentos no país. Para um imunizante ser liberado no Brasil, a Anvisa analisa como ele foi produzido, os estudos e embasamentos técnicos que concluíram pela segurança e eficácia do medicamento. Além disso, após a liberação do uso em seres humanos, o órgão também faz o monitoramento para possíveis eventos adversos.

O Yahoo! Notícias entrou em contato com Allan dos Santos solicitando a fonte dos dados utilizados na declaração, mas até a publicação da checagem não obteve retorno.

A peça de desinformação também foi verificada pela Agência Lupa.

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