Falta de acessibilidade: para deficientes físicos, sair sozinho torna-se um problema

Larissa Medeiros*
·2 minuto de leitura
Acervo pessoal

RIO — Para portadores de deficiências físicas que frequentam a Zona Sul, deslocar-se sozinho pela região é quase sempre um problema. Entre os empecilhos estão pedras portuguesas sem manutenção, estações de metrô com elevadores quebrados e ônibus que circulam sem rampa de acesso funcionando.

André Nóbrega, de 41 anos, deficiente físico e morador de Copacabana, convive há tempos com esses problemas. Ele tem a síndrome de Miller Fisher, deficiência física que ataca o cortéx cerebral e compromete a fala, a coordenação motora fina e o equilíbrio, e utiliza um andador para se locomover. Segundo Nóbrega, com ou sem o equipamento, os obstáculos são quase incontáveis.

— O calçamento malconservado é predominante em Copacabana. Além disso, as raízes que atravessam as calçadas e alteram a estrutura também são comuns. Há ainda o pouco tempo dos sinais nas travessias — enumera.

Um dos problemas citados por Nóbrega também faz parte do dia a dia do cadeirante e morador da Rocinha Joaquim Trajano, de 48 anos: o ônibus. Ele conta que precisa sair duas horas antes do horário do tratamento de fisioterapia, no Jardim Botânico, somente pela dificuldade de encontrar um motorista que o ajude na hora de entrar no transporte.

— Alguns dizem que o controle está quebrado ou que ele não sabe mexer, sendo que é impossível não saber usar um dispositivo que tem dois botões: um de subir e outro de descer — reclama Trajano.

Ele conta que utiliza cadeira de rodas desde 2014, quando sofreu uma queda devido à fraqueza muscular decorrente de duas distrofias chamadas de Becker e Duchenne. Sobre as dificuldades do dia a dia, ele afirma que na favela a acessibilidade é nula.

— As ruas e vielas não têm saneamento básico, com buracos e esgoto a céu aberto. Se chover, não consigo sair nem para ir ao médico, que já é um serviço precário por aqui, porque, com os becos molhados e tantos quebra-molas, ass rua ficam escorregadias — diz.

Nóbrega também critica a falta de investimento.

— Os governantes precisam aprofundar a questão e sugerir propostas para acessibilidade, coisa que não se vê. O tema é tratado como um futuro distante e inalcançável — aponta.

*Estagiária, sob a supervisão de Milton Calmon Filho

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