Falta de Coronavac trava vacinação de crianças de 3 e 4 anos em ao menos sete capitais

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.06.2021 - Vista de um frasco contendo o imunizante Coronavac, contra a Covid-19. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.06.2021 - Vista de um frasco contendo o imunizante Coronavac, contra a Covid-19. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Com falta de doses, ao menos sete capitais tiveram que suspender temporariamente a vacinação de crianças de 3 e 4 anos contra a Covid. Entram na lista cidades como Belo Horizonte, Aracaju, Belém, Maceió, Recife, Brasília e Rio de Janeiro.

Em algumas delas, os estoques, que já estavam baixos, zeraram nesta semana. Em outras, a suspensão da campanha já dura mais de 20 dias.

A vacina em falta é a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan e aprovada em julho pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser distribuída para essa faixa etária.

Em Belo Horizonte, os imunizantes acabaram no início da semana, de acordo com a prefeitura. A previsão é que a campanha seja retomada assim que novas doses forem enviadas pelo Ministério da Saúde.

Em nota, a pasta diz que deve enviar uma nova remessa a todos os estados a partir desta sexta-feira (18).

Em Brasília, o baixo estoque já levava a secretaria da saúde a concentrar a oferta, desde 24 de outubro, apenas para a segunda dose. As vacinas, porém, acabaram nesta quarta (16).

"Atualmente, a Rede de Frio Central está com estoque zerado dessa vacina", informa a secretaria de saúde.

A mesma situação é verificada em outras cidades, como Aracaju, Belém e Maceió, onde as campanhas foram suspensas nesta semana.

O esquema vacinal com a Coronavac é de duas doses, com intervalo de 28 dias entre cada uma. Segundo as prefeituras, pais de crianças que já tiverem a previsão de aplicação da segunda dose devem aguardar novo chamado para comparecer aos postos.

Além dessas cidades, a campanha de vacinação contra a Covid também já havia sido suspensa no Rio de Janeiro, no fim de outubro, e no Recife, no início deste mês.

Na época, o prefeito da capital pernambucana, João Campos (PSB), fez críticas ao Ministério da Saúde por meio das redes sociais. "É um absurdo ter que suspender a vacinação desse grupo por falta de planejamento nacional na aquisição e distribuição de vacinas", escreveu na ocasião.

Secretarias de saúde das duas cidades dizem que ainda não receberam previsão de chegada do imunizante e que a vacinação segue suspensa.

Até que haja a chegada de novas doses, a prefeitura do Rio diz que passou a vacinar crianças de 3 e 4 anos com comorbidades com a vacina Pfizer infantil. As demais devem aguardar a vacina Coronavac.

Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems, conselho que reúne secretarias municipais de saúde, diz que a falta de doses é pontual.

Ele afirma que as doses têm sido compradas pelo ministério conforme a demanda como estratégia para evitar perdas e que têm havido remanejamento de vacinas em caso de baixos estoques.

Pais, porém, relatam dificuldade para encontrar doses para crianças de 3 e 4 anos há mais de três semanas em algumas cidades.

Mãe de uma menina de três anos, Clara Fagundes diz que buscou a vacina por ao menos três vezes em Brasília, sem sucesso.

"Fui logo no início da campanha, assim que foi liberada a vacinação para crianças, e só estavam vacinando aquelas com quatro anos. Quando voltei, não havia mais. Depois fui de novo e não tinha vacina", afirma. "Minha filha ficou super frustrada."

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que e deve iniciar a distribuição de uma remessa de 1 milhão de doses a partir desta sexta-feira (18) para vacinação de crianças de 3 e 4 anos.

Antes desse envio, a pasta diz que já havia disponibilizado quantidade semelhante para todos os estados e Distrito Federal.

Com a previsão, a expectativa é que as campanhas sejam retomadas conforme as doses forem sendo remanejadas para os municípios.