Falta d'água: prazo para abastecimento ser normalizado no Rio termina nesta quarta-feira

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Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Termina nesta quarta-feira o prazo para a normalização do abastecimento d'água dos clientes da Cedae atendidos pela Elevatória do Lameirão. A estação voltou a operar com 100% da capacidade na segunda-feira, após a substituição do motor de uma bomba que havia parado de funcionar ainda em novembro. O processo para que o serviço fosse totalmente normalizado poderia levar até 48 horas.

O problema na Elevatória afetou mais de uma milhão de moradores no estado, com destaque para as Zona Oeste e Norte da capital e a Baixada Fluminense. Nesta manhã, moradores de alguns bairros ainda reclamavam de caixas d'água ainda vazias. Em Pedra de Guaratiba, a moradora Ana Hamerman, aguardava com expectativa o reabastecimento. Ela conta que precisou gastar R$ 300 reais com um carro-pipa e que usou a água da piscina para limpar a casa.

— Antes dessa questão do Lameirão a Pedra de Guaratiba já sofria com falta d'água. Eu paguei R$ 300 em 10 mil litros porque já era cliente, mas não tenho como fazer isso todo mês e conta de água ainda chega, apesar da torneira seca — disse em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo.

Em nota, a Cedae informou que clientes podem entrar em contato pelo 0800-282-1195 para informar sobre desabastecimento ou solicitar serviço de carro-pipa. Também é possível solicitar a visita de um equipe para verificar problemas no abastecimento.

A Elevatória do Lameirão passou mais de um mês operando com 75% da capacidade após três de seus nove motores ficarem fora de operação. A Justiça determinou que a Cedae realizasse um rodízio igualitário de abastecimento, na tentativa de diminuir os transtornos causados pela falta d'água. Na prática, porém, moradores reclamaram que a medida não surtiu o efeito desejado. Muitas vezes quando o bairro constava na lista de abastecimento do dia, a água não chegava nas torneiras.

A Agência Reguladora de Energia e Saneamento (Agenersa), multou a Cedae em R$ 1,35 milhão por conta do problema. O Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Defensoria também pediram o bloqueio de R$ 100 milhões das contas da empresa pública para indenizar consumidores.

O governador em exercício Cláudio Castro (PSC) chegou a pedir desculpas à população fluminense pelo desabastecimento. Segundo ele, houve uma "fatalidade" que não exime o governo de assumir a responsabilidade pelo atual cenário.

O diretor-presidente da Companhia, Edes Fernandes de Oliveira, afirmou que quem se sentir lesado pela falta d'água poderá pedir ressarcimento da conta e de gastos com carros-pipa. Consumidores que não têm medidor de consumo podem entrar em contato com a concessionária e pedir reavaliação das despesas. Já quem tem o aparelho terá os gastos analisados automaticamente. Na entrevista, no entanto, o presidente da empresa não detalhou como será o trâmite para conseguir o dinheiro de volta.

O problema poderia ter sido evitado. Em denúncia ao GLOBO, um ex-funcionário da Cedae afirmou que uma das sete bombas da Elevatória estava quebrada desde dezembro de 2018, e só foi enviada para manutenção em abril de 2020. O aparelho está em operação desde 1965. Caso ela estivesse em funcionamento, a queima de outras duas bombas, em outubro e novembro deste ano, não teria afetado o abastecimento.

O diretor-presidente da companhia confirmou a demora no reparo do equipament em entrevista à "TV Globo". Segundo ele, a empresa especializada e licitada para o procedimento teve "dificuldade em conseguir matéria-prima suficiente" por conta da pandemia.