'Falta de amor': pai de jovens envenenados pela madrasta fala sobre o caso

Madrasta é investigada suspeita de matar enteada e tentar matar enteado adolescente. Foto: Reprodução.
Madrasta é investigada suspeita de matar enteada e tentar matar enteado adolescente. Foto: Reprodução.
  • Adeílson relembra dia em que filha foi envenenada

  • Madrasta foi presa após internação do adolescente

  • 'Ela não tinha amor por ninguém'

Adeílson Cabral, pai dos jovens que teriam sido envenenados por sua companheira, Cíntia Mariano, falou sobre o caso dois meses após a morte da filha, Fernanda Dias Cabral, de 22 anos. Para ele, o crime foi motivado por “falta de amor”.

“Eu acho que foi falta de amor. Falta de amor. Ciúme não. Falta de amor. Ela não tinha amor por ninguém”, declarou em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo. Seus filhos são fruto de um casamento anterior, com Jane Carvalho.

Fernanda vivia com a madrasta e o pai, com quem também trabalhava montando feiras de livros. Segundo Adeílson, Cíntia algumas vezes se incomodava com a relação do pai com a filha.

“Às vezes pelo dinheiro, porque a Fernanda gostava de viajar e eu às vezes financiava essa viagem. Que é uma coisa normal de pai”, afirma.

O pai recorda sobre o dia em que Fernanda supostamente foi envenenada pela madrasta, no dia 15 de março. “Estava embaçando a vista e tal e foi pro banheiro, mandou mensagem para o namorado. Depois, não conseguia mais falar”, conta. “Fernanda ia babando, ia ficando dura aí eu já entrei no desespero: ‘Vamos pegar o carro e vamos levar’. Fernanda deu entrada no Hospital Municipal Albert Schweitzer em estado muito grave. Inconsciente, foi levada pra UTI e o quadro evoluiu rápido.”

Segundo Adeílson, a jovem sofreu uma parada cardíaca. “Ela teve uma parada cardíaca né? E ficou intubada. E ficou aquela agonia por 12 dias: ‘será que vai abrir o olho, será que não vai, parece que tá apertando a mão, mas não tá’.”

A jovem faleceu no dia 27 de março. Em um primeiro momento, a causa da morte foi registrada como infecção generalizada. No entanto, suspeitas de envenenamento vieram à tona quando o irmão de Fernanda também precisou ser internado.

No dia 20 de maio, a madrasta foi presa acusada de homicídio qualificado contra a e pela tentativa de homicídio contra o jovem de 16 anos.

Envenenamento de adolescente

De acordo com investigações da 33ª DP (Realengo), o estudante de 16 anos deu entrada no Hospital Municipal Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com tonteira, língua enrolada, babando e com coloração da pele branca.

Os sintomas apareceram após comer um prato de feijão feito e servido pela mulher que mantinha um relacionamento conjugal com seu pai.

Segundo os depoimentos prestados na delegacia, durante o almoço, em que foram servidos ainda arroz, bife e batata frita, estavam presentes, o casal, os dois jovens envenenados, uma filha de outro casamento do pai dos jovens, dois filhos e uma neta da suspeita.

Na ocasião, o adolescente reclamou que o feijão estava com gosto amargo e o colocou no canto do prato. A madrasta então levou o prato de volta a cozinha e colocou mais comida.

Após a refeição, o estudante foi deixado na casa da mãe, Jane Carvalho Cabral, que minutos depois ligou para o ex-marido contando dos sintomas apresentados pelo filho. Levado ao hospital, o jovem foi submetido a uma lavagem gástrica e teve a intoxicação exógena diagnosticada pela equipe médica. Ele continua internado.

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