Falta de remédios pode provocar rebelião em Complexo da Papuda, diz relatório

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O Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, corre risco de rebeliões pela falta de medicamentos psiquiátricos para os detentos. Com ao menos seis remédios em falta na unidade, alguns presos teriam entrado em “surto”, deixando o local em estado de alerta.

A informação consta em um relatório da Gerência de Saúde do Sistema Prisional do Distrito Federal, um dos braços da Secretaria de Saúde local, e foi obtido pelo portal G1.

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“Esclareço que desde fevereiro estamos enfrentando desabastecimento de alguns itens e já solicitamos providências”, diz trecho do despacho. “Vários pacientes/internos estão em surto, causando instabilidade na massa carcerária, acarretando elevado risco de motim ou violência extrema”, continua o texto.

A falta de medicamentos afeta diretamente cerca de 60 detentos, entre homens e mulheres, que estão na Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP).

Apesar de confirmar a ausência dos remédios, a Secretária de Saúde afirmou ao portal que monitora a saúde dos presos. Familiares, no entanto, contestam a fala da pasta e afirmam que há falta de medicamentos de todos os tipos, mencionando, como exemplo, um surto de doenças de pele que ocorreu em 2017 e atingiu mais de 2,6 mil presidiários — na ocasião, não havia medicação para tratar todos os casos. A quantidade representa ao menos 17% da quantidade de presos no DF.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, em menos de dez anos a população carcerária da região saltou de 7,4 mil para 15,7 mil internos — as informações foram atualizadas em janeiro deste ano. Outro levantamento, feito pela TV Globo, mostra que a Papuda apresenta 8.419 presos a mais que a capacidade do complexo (113,85% de superlotação).

O complexo ficou conhecido por abrigar presos de cargos públicos, envolvidos em esquemas de corrupção — muitos deles pela Operação Lava Jato —, como o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o operador Lúcio Funaro e mesmo o deputado Paulo Maluf (atualmente cumprindo prisão domiciliar em São Paulo).