Falta de doses freia vacinação contra a covid-19 no Brasil

·2 minuto de leitura
Maria Ferreira, 74, é vacinada contra a covid por um profissional de saúde com uma dose da Oxford/AstraZeneca, em uma comunidade às margens do Rio Negro, perto de Manaus, Amazonas, em 9 de fevereiro de 2021

A campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil, onde a imunização da população começou tardiamente, já está ameaçada pela falta de doses, segundo informações de autoridades de vários estados.

No Rio de Janeiro, cidade com mais mortes (quase 20 mil desde o início da pandemia), a prefeitura alertou em nota que só tem doses suficientes para vacinar "até sábado".

“Esperamos a chegada de novas doses na próxima semana. Caso contrário, a vacinação será interrompida”, afirmou.

Em outras duas cidades, São Gonçalo e Niterói, a vacinação já está suspensa há vários dias.

O mesmo ocorre com Salvador da Bahia, que interrompeu a vacinação dos profissionais da saúde e atrasou o início da vacinação de pessoas com entre 80 e 84 anos, que deveria começar nesta semana.

No estado de São Paulo, o mais rico e populoso em um país com 212 milhões de habitantes, as autoridades sanitárias também tiveram que adiar o início da vacinação para essa faixa etária até 1º de março.

"As datas foram definidas de acordo com o número de vacinas disponíveis. E não são suficientes", disse Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Paulo, ao Uol.

No Brasil, segundo país com mais mortes por coronavírus (236 mil), atrás dos Estados Unidos, a vacinação começou há apenas três semanas. Nos Estados Unidos, em alguns países da União Europeia e em outros países da América do Sul, como a Argentina, havia começado no final de 2020.

Até o momento, cerca de 12 milhões de doses de vacinas - a CoronaVac do laboratório chinês Sinovac e a anglo-sueca AstraZeneca - já foram distribuídas para todos os estados do Brasil e mais de 4,5 milhões de pessoas já foram vacinadas.

Segundo o jornal O Globo, 70% das doses restantes são reservadas para garantir que os já vacinados recebam a segunda dose.

A distribuição das novas doses da CoronaVac deve ser retomada no dia 23 de fevereiro, após a chegada nos últimos dias a São Paulo de suprimentos da China que permitirão a produção de mais de 17 milhões de unidades.

Mais de 2,7 milhões de doses do AstraZeneca também devem estar disponíveis em março.

Apesar dos atrasos, o ministro da Saúde garantiu na quinta-feira em audiência no Senado que toda a população será vacinada antes do final do ano e metade antes de junho.

Muito criticado pelo manejo da pandemia, o governo do presidente Jair Bolsonaro espera receber 210,4 milhões de doses da vacina AstraZeneca durante o ano e 100 milhões de CoronaVac até o final de agosto.

lg/jm/js/ap