Falta de equipamentos impede abertura de vagas no Pedro Ernesto para pacientes com Covid-19

Ana Lucia Azevedo
Profissionais de saúde no Hospital Pedro Ernesto

Em tempos de coronavírus, cama não é sinônimo de leito. No Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da UERJ, as camas existem, mas não os leitos hospitalares equipados para atender aos pacientes de Covid 19.

Leitos aparecem como previstos no sistema do SUS no estado, mas, segundo o diretor do HUPE, Ronaldo Damião, não foram implantados por falta de equipamentos. Hoje, o HUPE tem 60 leitos de UTI para Covid-19, 12 deles estavam vagos na manhã desta sexta-feira. Há 48 leitos de enfermaria para a Covid-19, mas nenhuma vaga.

Na quinta-feira, uma decisão da Justiça determinou o desbloqueio de 138 leitos do estado e da prefeitura, sendo a metade deles no Pedro Ernesto, que não dispõe de emergência. Mas Damião explica que essa decisão foi baseada numa previsão de leitos e não no que foi implantado de fato.

Para se tornarem leitos de UTI ou enfermaria, o HUPE precisa dos equipamentos, comprados, mas que ainda não chegaram. O HUPE comprou 70 respiradores da China, mas só recebeu 20. E recebeu outros 20 do governo do estado.

— Quando esses respiradores chegarem, poderemos abrir mais 50 leitos de UTI para Covid — diz Damião.

Na segunda-feira, ele espera abrir mais oito leitos de UTI e oito de enfermaria. Esses leitos pertenciam a outras especialidades médicas e foram reformados e redirecionados.

— Preparamos uma enfermaria, outras estão sendo preparadas. Mas não existem bloqueios. Estamos revendo qualquer caso. Altas e óbitos acontecem regularmente. Até hoje nunca recusamos paciente — afirma Damião.

O hospital dispõe ainda de 148 vagas de UTI e enfermaria para pacientes de câncer, doenças cardíacas e complicações neonatais, todos casos graves.

— Infelizmente, as outras doenças continuam a existir e precisamos atender a esses pacientes — destaca ele.

Há, por exemplo, duas vagas na UTI cardíaca e seis de enfermaria. Mas elas não podem ser transferidas para a Covid-19 não só porque são necessárias para doentes cardíacos graves quanto porque não dispõe de isolamento e demais equipamentos necessários e um paciente com Covid-19 poderia contagiar os demais.

— Estamos tralhando para desocupar mais enfermarias para a Covid-19. Mas não podemos colocar em risco, por exemplo, os pacientes sem coronavírus — diz ele.