Copa do Mundo de 1930: A falta que o "U" fez

A famigerada foto oficial da seleção boliviana na Copa de 1930 (Reprodução)

Faltam exatos 50 dias para a Copa da Rússia e, a partir de hoje, o Yahoo Esportes vai trazer uma série com histórias curiosas dos Mundiais. Bom proveito!

A primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai em 1930, foi costurada em meio a um delicioso festival de improvisos. Não fosse pelo já tradicional – e até aguardado – momento do erro nos hinos nacionais (como aconteceu antes de Argentina x México, quando o hino mexicano começou a tocar enquanto os jogadores se aqueciam e todos se alinharam voluntariamente), eram as próprias seleções que se esforçavam para suprir essa necessidade tão humana em cometer gafes.

Você já viu o novo app do Yahoo Esportes? Baixe agora!

Naquele primeiro campeonato, quando ninguém sabia qual a relevância que a competição teria no futuro, os participantes, todos convidados, faziam de tudo para agradar o país anfitrião. Era um esforço desavergonhado para arregimentar a torcida local quando os jogos não fossem contra o Uruguai, é claro. A própria seleção brasileira entrou em campo para sua primeira partida em um Mundial com os jogadores exibindo a bandeira do país sede (muitos se arrependeriam disso anos mais tarde, mas isso é “causo” para outro momento).

De volta à análise dessa nossa capacidade em passar vergonha, naquela Copa a Bolívia certamente estabeleceu um padrão a ser alcançado, um novo patamar de constrangimento. Também em sua partida de estreia no triangular do grupo contra a Iugoslávia, os jogadores do altiplano foram a campo cada um com uma letra estampada no uniforme e que, juntas, deveriam formar a frase: “Viva Uruguay”. Bajulação explícita, evidentemente, e é claro que as chances de algo dar errado eram enormes… por sorte. À boca pequena, o que torna tudo ainda mais divertido, diz-se que um dos jogadores que trazia no peito a letra “U” não chegou a tempo para a foto oficial por estar enfrentando um sério problema estomacal. 

Os jogadores bolivianos em campo olharam para um lado, olharam para o outro e conferiram, normalmente entre eles, que já havia alguém com a letra U: “Está todo bien”, provavelmente pensaram.

E o resultado é essa imagem maravilhosa da falta que o outro “U” fez.