Falta de transparência dificulta combate ao coronavírus na Itália

Ana Lucia Azevedo

Cientistas italianos, em artigo na revista médica "Lancet" acusam o governo de seu país de falta de transparência sobre os casos de coronavírus, o que tem atrasado o controle da Covid-19. Destacam que os países não estão trocando informações detalhadas como deveriam. E que esses fatores somados contribuem para agravar a pandemia.

“Nenhum site oficial do governo italiano disponibiliza informações sobre as características dos casos graves”, afirmam Marzia Lazzerini e Giovanni Putoto. Ambos são do Centro de Colaboração com a OMS do Instituto de Saúde Materno-Infantil, em Trieste.

Os cientistas dizem que há dados discrepantes e que, embora a Itália tenha testado muita gente, não há clareza sobre os critérios empregados. Para eles, a mortalidade real é desconhecida. E ressaltam que não existe uma descrição de caso homogênea entre os países europeus, tampouco critérios de amostragem e testes. Na avaliação dos autores do artigo, só a falta de transparência pode não explicar a tragédia italiana. Mas é um obstáculo para deter o coronavírus.

A Itália se tornou o exemplo do que pior pode se fazer para enfrentar a pandemia. A vigilância falhou. Mas isso só não explica a disseminação da Covid-19. O país assombra em números absolutos de mortos, que já supera o da China, e choca em relativos, pois a Itália tem população quase 23 vezes menor que a chinesa. A taxa de mortalidade na Itália supera os 8% e é mais do que o dobro da chinesa.

Quando se compara a Itália à Alemanha, o quinto país em número de casos, o quadro também é desastroso. O coronavírus avança entre os alemães. Mas a taxa de mortalidade na Alemanha é de 0,2%. Os dois países têm bons sistemas de saúde pública. E embora a população alemã seja mais jovem do que a italiana, a diferença não justifica o abismo.

Uma hipótese é que a Alemanha esteja só no início da disseminação. Outra, que não esteja registrando as mortes como deveria. Os alemães, embora não descartem o agravamento da pandemia, dizem que se prepararam desde a detecção dos primeiros casos, em janeiro, com maciça testagem.

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