Falta de vacinas eclipsa cúpula da UE em meio a avanço de terceira onda

Sabine Siebold e Philip Blenkinsop
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Presidente francês, Emmanuel Macron

Por Sabine Siebold e Philip Blenkinsop

BRUXELAS (Reuters) - Líderes da União Europeia se reuniram nesta quinta-feira para traçar uma rota de saída da pandemia de Covid-19 enquanto as infecções aumentam em muitos de seus países, buscando um consenso sobre como aumentar os suprimentos de vacinas após um início de imunização lento.

Como a distribuição de vacinas está desigual no bloco e países-membros estão divididos sobre adotar ou não uma postura mais rígida nas exportações de vacina, o presidente francês, Emmanuel Macron, expressou frustração com programas nacionais de inoculação que estão muito atrás do britânico e do norte-americano.

"Não pensamos grande. Isto deveria ser uma lição para todos nós. Erramos de não ter a ambição, de não ter a loucura, eu diria, de dizer: é possível, vamos fazê-lo'", disse ele ao canal de televisão grego ERT antes da cúpula.

Até 23 de março, o Reino Unido havia administrado quase 46 vacinas para cada 100 pessoas – número muito superior ao de menos de 14 para 100 do bloco de 27 nações do qual se desfiliou no ano passado, de acordo com cifras compiladas pelo site Our World In Data.

Assolada por atrasos, a distribuição europeia criou um atrito com o Reino Unido, que importou 21 milhões de doses feitas na UE, de acordo com uma autoridade do bloco. O Reino Unido diz que fez um trabalho melhor ao negociar com fabricantes e organizar cadeias de suprimento.

A UE diz que o vizinho deveria compartilhar mais, sobretudo para ajudar a compensar uma forte redução nas entregas contratadas da vacina da AstraZeneca. O bloco enviou pouco mais de um milhão de doses da AstraZeneca ao Reino Unido antes de fevereiro, disse o funcionário da UE, que não quis se identificar.

Sublinhando as dificuldades da UE, a empresa de biotecnologia norte-americana Novavax está adiando a assinatura de um contrato de suprimento de sua vacina ao bloco, disse uma autoridade da UE nesta quinta-feira, devido a problemas para obter algumas matérias-primas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pressionada em casa após um recuo nos planos de um feriado de Páscoa prolongado para interromper uma terceira onda de Covid-19, defendeu a decisão da UE de adquirir vacinas conjuntamente para os países-membros.

Na quarta-feira, o Executivo da UE revelou planos de endurecer a supervisão das exportações da vacina, o que lhe daria mais liberdade para bloquear carregamentos a países com taxas de inoculação mais altas.

(Reportagem adicional de John Chalmers)