Falta de vacinas já atinge cidades da Região Metropolitana

João Pedro Fragoso*
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O uso indevido de vacinas contra a Covid-19 acabou provocando nesta segunda-feira (8) a falta de doses para atender ao público prioritário da campanha em municípios da Região Metropolitana, como São Gonçalo e Caxias. A Secretaria estadual de Saúde informou que, no fim de semana passado, recebeu novas doses do Ministério da Saúde. A distribuição para as cidades depende de transporte aéreo e de condições climáticas.

Em São Gonçalo, qualquer profissional de Saúde, independentemente de ser jovem ou idoso e do município de residência, podia se imunizado. Já pessoas com mais de 90 anos enfrentaram dificuldades para se vacinar. Lá, agora, só estão vacinando profissionais de Saúde que receberam a primeira dose. Os demais, além dos idosos, segundo a Secretaria de Saúde, terão que aguardar a chegada de novos frascos da vacina.

Caxias incluiu os profissionais da Educação na lista das prioridades, o que gerou uma ação do Ministério Público do estado (MPRJ). A Justiça decidiu que o município teria que obedecer ao critério de vacinação por idade. Segundo a prefeitura, depois dos profissionais de Saúde que trabalham na cidade, começaram a ser imunizados idosos com mais de 80 anos. E, com o que sobrou, passou a aplicar a segunda dose nos profissionais de Saúde. Mas o município informou que a vacina acabou.

Em meio à confusão, em São Gonçalo, chegaram a invadir e a depredar um posto de saúde no fim de semana, mas a prefeitura nega que o ato tenha relação com a vacinação.

Questionada sobre possíveis irregularidades na utilização das vacinas contra o novo coronavírus, a Secretaria estadual de Saúde afirmou que não tem poder de controle e monitoramento, o que, segundo a pasta, cabe ao MP. Procurado, o órgão reitera ser necessário que todos os entes públicos tentem evitar a migração de pessoas para municípios que usem critérios diferentes dos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Afirma ser crucial que esses entes “exerçam de forma efetiva o seu dever de fiscalizar desvios e coibir ilícitos, fazendo valer os recursos jurídicos postos à disposição da administração pública brasileira”. O MP diz ainda que, em caso de irregularidades, deve ser comunicado e que sindicâncias e processos administrativos podem ser instaurados.

* Estagiário sob a supervisão de Vera Araújo