'Faltando coordenação do Ministério da Saúde', diz secretário de Saúde ao saber sobre nova cepa de Covid-19 no Rio pela mídia

Lucas Altino
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O secretário estadual de Saúde do Rio, Carlos Alberto Chaves, não escondeu seu descontentamento por ter descoberto pela mídia sobre a presença da nova mutação da Covid-19 no Rio, como disse. A informação, oriunda de resultado de análises da Fiocruz, foi veiculada pela imprensa nesta terça-feira, dia 16, antes das secretarias estadual e municipal serem oficialmente notificadas. Para Chaves, isso mostra problemas de "coordenação" por parte do Ministério da Saúde.

O tom de reclamação, inclusive, dominou grande parte da coletiva convocada por ele nesta quarta-feira, dia 17. Ao seu lado, o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, também lamentou os problemas de comunicação.

O Superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da SES, Mario Sérgio Ribeiro, explicou que a comunicação desse resultado deveria ser feita ao estado e ao município através do Governo Federal. Para Chaves, esse problema explicitou falhas de coordenação:

— A notificação foi via mídia. O certo seria uma nota técnica, achei deselegante. Não me preocupa quem vazou, mas as coisas precisam ser feitas dentro das normas. Por isso convoquei essa coletiva hoje. Saúde é coisa séria e esse tipo de coisa não suporto. Acho que está faltando coordenação com Ministério da Saúde.

Soranz corroborou:

— As ações precisam ser coordenadas e a informação é fundamental.

Há um mês, o Ministério da Saúde iniciou um projeto nacional para monitoramento de novas variantes do Coronavírus. Com isso, a cada semana estados enviam amostras de sequenciamentos para laboratórios de referência. No caso do Rio, os resultados vão para o Laboratório Central (Lacen) de Minas Gerais. Até aqui, explicou a equipe de Vigilância da SES, não houve identificação de mutações do Covid-19 no Rio dentro desse projeto.

Esse trabalho, no entanto, não impede as análises da Fiocruz, que também tem um laboratório de referência nacional. Foram em resultados obtidos pelo instituto que se identificou a presença no Rio da variação P1, uma mutação inicialmente observada em Manaus.

Ademais, o Ministério da Saúde já havia comunicado à imprensa sobre um caso de P1 no Rio na última sexta-feira, dia 12. Mas, a equipe da SES disse que nunca recebeu essa notificação por vias oficiais.