Família Bolsonaro se distancia de parceiros comerciais importantes por conta do coronavírus

Janaína Figueiredo

Os três principais sócios comerciais do Brasil são, nessa ordem, China, Estados Unidos e Argentina. A família presidencial brasileira já atacou publicamente dois deles desde que chegou ao poder, criando crises diplomáticas que complicam as relações bilaterais e poderiam complicar, também, o comércio. Nesta semana, voltou a atacar a China e manteve distanciamento do presidente da Argentina, Alberto Fernández, em relação à pandemia do novo coronavírus.

A China, que protestou contra um tuíte do deputado Eduardo Bolsonaro sobre o coronavírus publicado na quarta-feira, é o maior parceiro comercial do Brasil e uma das principais fontes de investimento estrangeiro. No ano passado, o Brasil teve um superávit comercial superior a US$ 30 bilhões com o país asiático. O mercado chinês é importantíssimo para produtos como soja, minério de ferro, petróleo, carnes e celulose, entre outros.

A Argentina é o principal mercado para os produtos manufaturados brasileiros. Cada vez que o presidente ou seu filho deputado se referiram de maneira agressiva ao presidente Fernández, ou até mesmo a seu filho, Estanislao, conhecido drag queen no país, empresários brasileiros temeram um impacto no comércio bilateral, essencial para muitas empresas do país.

O único país que escapa dos ataques e, pelo contrário, é venerado pela família Bolsonaro são os EUA cujo presidente, Donald Trump, retribui os elogios, mas diz que não pode garantir que seu governo não adotará medidas protecionistas contra produtos brasileiros. Em 2018 e 2019, foram aplicadas sobretaxas de importação ao aço e alumínio brasileiros exportados ao mercado americano, o que exigiu enormes esforços do governo Bolsonaro para reverter a situação.

Compartilhe por WhatsApp: clique aqui e acesse um guia completo sobre o coronavírus