Família busca por corpo de menino de 7 anos exumado sem autorização em São Gonçalo

Gisele Barros
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RIO — Raynner Souza Figueiredo nasceu com anemia falciforme e faleceu aos sete anos, em 2018. Sepultado no cemitério municipal São Miguel, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, o corpo do menino seria exumado em abril deste ano. Porém, no momento em que a família preparava os trâmites para o processo, descobriu que o corpo já havia sido retirado do local no ano passado, sem autorização ou consentimento dos parentes.

— Estávamos preparando todos os documentos para levar o corpo para o jazigo da família no cemitério de Maruí. Foi quando soubemos que constava no livro de registros que o corpo já havia sido retirado no ano passado. Nunca fomos avisados. Nós sempre estivemos lá todos esses anos, fizemos visitas frequentes e a manutenção do túmulo. Na pandemia, fomos proibidos de fazer visitas, mas assim que autorizaram o retorno, estávamos lá. Mesmo assim, ninguém deu satisfação nenhuma. Nem a placa retiraram. Estávamos velando o corpo de outra criança — conta Jéssica Karen Alves Souza, de 32 anos, mãe de Raynner.

Segundo a autônoma, a administração do cemitério diz há 15 dias que está procurando pelo corpo. Jéssica conta ainda que já recebeu a denúncia de outras famílias que passaram pela mesma situação no município e denuncia o descaso com que a situação foi tratada.

— Tiraram de mim a única coisa que me fazia sentir próxima do meu filho. Só eu sei o que significava. Mantivemos o cuidado, sempre foi pitado de laranja, a cor favorita do meu filho. Sinto muita revolta. Eles fazem o que bem entendem. Um completo descaso. Como vão encontrar meu filho agora se sumiram com ele no meio do ano passado? Faço essa denúncia não só por mim, mas para que outras mães não passem pelo mesmo sofrimento que eu — ressalta.

Jéssica conta que Raynner enfrentou muitos desafios por conta da doença, mas tentava sempre levar alegria para toda a família. Segundo ela, o filho mais velho, de 15 anos, sofreu muito com a perda do irmão, e revive agora esse sentimento após a notícia do sumiço do corpo.

— Meu filho era muito atencioso, muito carinhoso. Ele sofria com dores, tomava remédios, mas mesmo assim se segurava para não chorar porque tinha medo de nos preocupar. Ele realmente deixou uma história. Não tinham o direito de fazer o que fizeram — lamenta.

Procurada, a prefeitura de São Gonçalo ainda não se pronunciou sobre o caso.