Família contesta versão da polícia sobre morte de MC em Meriti: ‘Já chegaram atirando’, diz irmã

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A família do MC João Victor da Silva Campos, o Joãozinho MC, de 17 anos, morto no último sábado em um baile funk na Rua Cruz da Fé, no bairro Éden, em São João de Meriti, contesta a versão divulgada pela polícia militar sobre a ação dos PMs no dia. A irmã do MC, a cabeleireira Evellen Cristina da Silva Campos, de 27 anos, diz que amigos relataram que os agentes já chegaram atirando no baile e que os policiais impediram que o jovem fosse socorrido.

— Teve troca de tiro e foi aquela correria. Meu irmão foi tentar correr e bateu de frente com os policiais, nisso foi tentar pular o muro de uma casa e tomou um tiro nas costas. Ele ficou gritando por um colega para ajudá-lo, e os policiais falaram para não ajudar porque ele era bandido. Ele ficou 1h no chão pedindo ajuda, e os policiais não deixaram os amigos pegarem ele — conta.

Segundo a Polícia Militar, equipes do 21ºBPM (São João de Meriti) foram acionados para o local para verificar uma tentativa de homicídio na manhã de sábado, quando os PMs foram recebidos a tiros e houve confronto. Depois, dois homens foram encontrados feridos. O adolescente, Joãozinho MC, foi socorrido por populares ao Hospital Municipal de São João de Meriti, e o outro, identificado como Milton Correa Braga, de 53 anos, foi atendido no local pela SAMU. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de São João de Meriti, João Victor já chegou morto ao hospital às 8h50. Milton está internado em estado estável no Hospital de Saracuruna. A Polícia Militar afirma ainda que no local foram encontrados um machado, uma corda e uma capa de colete, que foram apresentados na 64ª DP (São João de Meriti), onde foi feito o registro da ocorrência.

Joãozinho Mc foi atingido por um tiro nas costas. Ele começou a carreira na música este ano, e tinha lançado dois funks nas redes sociais. Uma terceira música estava em processo de produção. Na página dele no Instagram há uma publicação com os contatos para contratação de shows. Segundo a irmã do MC, ele cantou no baile no dia em que morreu.

— Ele ia lançar outra música, os policiais não deram essa oportunidade para ele. Infelizmente a fama que ele queria, está ganhando de outra forma — diz a irmã do adolescente.

João Victor morava em Coelho da Rocha, estava no segundo ano do Ensino Médio e trabalhava no armazém do pai, em São João de Meriti.

— Ele tinha o sonho de ser MC. E, infelizmente, no Rio, a oportunidade de ser MC quem dá é a comunidade. Se tivesse uma casa de show que chamasse esses meninos para cantar, eles iriam até de graça, mas quem abraça primeiro é a comunidade. Eu queria que tivesse essa oportunidade fora para essas crianças tocarem, porque botam sua vida em risco por causa de um sonho — lamenta.

A música não lançada do MC falava sobre sonhos: “Ninguém acreditou em mim, mas mesmo assim eu fui até o fim”, diz um trecho.

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