Família de estrela queniana do atletismo relata histórico de violência e acusa marido de tê-la assassinado por dinheiro

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A família da corredora queniana Agnes Tirop, encontrada morta em sua casa na última quarta-feira, 13, acusa o marido e treinador dela, Emmanuel Rotich, preso pela polícia nesta quinta-feira, quando tentava fugir do país, de tê-la assassinado por dinheiro.

— É tão doloroso alguém tirar a vida de sua irmã só por dinheiro. Ele tinha tudo — disse Macdonald Kiprotich, em entrevista à emissora "Citizen", do Quênia.

Os parentes de Agnes querem que os bens acumulados pela filha sejam devolvidos à família. Segundo eles, estariam todos no nome de Rotich, embora o casal não fosse casado oficialmente. Ainda contaram que a vida conjugal de Agnes era conturbada e que ela se queixou várias vezes de violências que sofria do marido, a quem descrevem como “abusivo e controlador”.

O pai do atleta, Vincent Tirop, afirmou à imprensa queniana que Rotich obrigou a filha a abandonar a escola em 2016, levando-o a fazer uma denúncia à polícia, que nunca teve efeito.

— Este homem fugiu com minha filha em 2016, quando ela estava na escola secundária e a convenceu a vender um terreno que comprei para ela — disse. Vincent

Eveyline Chepng'etich, irmã de Agnes, relatou que ela a procurou no início da semana para obter ajuda depois que fora supostamente agredida por Rotich.

— Após uma corrida, Agnes voltou para casa, onde foi atacada por esse homem. Ele pediu à minha irmã para bloquear seus parentes e exigiu uma quantia em dinheiro, que ela concordou em dar a ele, mas ele continuou e a agrediu na minha presença, deixando Agnes com a testa inchada.

Chepng'etich contou ainda que a irmã pretendia voltar à casa dos pais por duas semanas e dar um tempo no relacionamento, que ela classificou como violento.

— Ela me disse que suportou violência nas mãos de Emmanuel por muito tempo, mesmo quando eles ainda moravam em uma casa alugada, e nada mudou depois de se mudarem para sua casa própria. Minha irmã estaria viva se tivesse ficado longe daquele homem.

Todas as provas de atletismo do país foram suspensas por duas semanas em homenagem à promissora atleta de 25 anos, cujo assassinato provocou comoção no país e no mundo. Agnes, que conquistou as medalhas de bronze nos 10 mil metros nos Mundiais de 2017 e 2019 e ficou em quarto lugar na prova dos 5 mil metros nos Jogos Olímpicos de Tóquio, foi encontrada morta, esfaqueada, na quarta-feira, na sua residência em Iten, cidade no oeste do Quênia, onde muitos atletas de corrida de meio-fundo treinam na altitude.

Tom Makori, comandante de polícia do distrito de Keiyo North, onde fica Iten, disse na própria quarta-feira que Rotich era o principal suspeito do crime. "Ele fez uma ligação para os pais de Tirop para dizer que havia feito algo ruim. Portanto, pensamos que sabe o que aconteceu", explicou.

Estrela em ascensão, Tirop havia batido no mês passado o recorde mundial dos 10km, com o tempo de 30 minutos e 1 segundo, em Herzogenaurach, na Alemanha. A atleta queniana ganhou fama em 2015, quando tinha apenas 19 anos e conquistou o título de campeã mundial de cross country. Ela se tornou a atleta mais jovem a conseguir a façanha desde a sul-africana Zola Budd, em 1985.

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