Família de grávida assassinada na Baixada Fluminense diz esperar laudo há quase um mês

Flavio Trindade
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O próximo domingo marcará um mês do assassinato da jovem Beatriz Paulino de Souza, de apenas 17 anos, no bairro Vila Central, em Queimados, na Baixada Fluminense. Grávida de cinco meses, a adolescente foi brutalmente espancada até a morte dentro de sua própria casa. O crime segue sem qualquer resposta, de acordo com os familiares da vítima. Eles dizem que até hoje não foram procurados e que não sabem detalhes sobre as investigações. Afirmam, ainda, que sequer receberam o laudo sobre a causa da morte da menina.

O crime aconteceu no dia 11 de março. Segundo o tio da jovem, Getúlio Fernandes, Beatriz morava com o namorado, de 39 anos, em uma residência próxima à da família. No dia do crime, o homem teria saído para trabalhar por volta das 4h30 da manhã, deixando Beatriz em casa. Ao chegar, à noite, ele a teria encontrado morta e chamado a família da jovem. A polícia, então, foi ao local e teria sido informada que a suspeita era uma ex-namorada do rapaz, que vinha ameaçando o casal e cometeu o crime junto com a filha.

Procurada pela reportagem EXTRA, a assessoria de imprensa da Polícia Civil e a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) não responderam até o momento.

Beatriz morava com uma irmã e os tios, Getúlio e Jandira Silva, desde os 10 anos de idade, após o pai delas perder a guarda. A adolescente era descrita como uma menina doce e brincalhona, e que só saiu de casa para morar com o namorado após engravidar.

— Era uma criança ainda. Era tão amável com toda a família. Ela estava feliz por ter ficado grávida e iria descobrir o sexo do bebê naquela semana. Matar uma criança de um jeito bárbaro como esse e ninguém fazer nada... Está sendo uma dor imensa para toda a família — lamentou Jandira.

‘Nossas mortes não são tão importantes’

O tio de Beatriz Paulino de Souza, Getúlio Fernandes, estranha o fato de até hoje a família não ter sido procurada pela polícia ou informada sobre o rumo das investigações. Segundo ele, a única vez em que agentes teriam sido vistos no bairro foi para escoltar parentes das suspeitas do crime, que teriam se mudado do local por estarem sendo ameaçadas por moradores da região.

— Criei essa menina como se fosse minha, e ela era minha filha. Agora não temos uma informação sobre esse crime horroroso. Nem o laudo da morte deram ainda para nós. Como somos pobres e moramos numa região desassistida, talvez nossas mortes não são tão importantes como as de outros lugares — desabafou Getúlio.