Família promete ir à Justiça por morte de mulher em hospital uma semana após ter bebê

Geraldo Ribeiro
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Raquel com o marido: morte é investigada

RIO - O laudo emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que as causas da morte de Raquel Santos de Souza, de 31 anos, foram edema agudo pulmonar, trombose de veia renal, trombo embolia pulmonar, cardiopatia dilatada avançada e insuficiência cardíaca avançada. A paciente morreu uma semana depois de ter tido um bebê no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste. Ela chegou a receber alta após o parto, mas dias depois voltou alegando sentir fortes dores na barriga. O corpo será sepultado nesta tarde, no Cemitério da Penitência do Caju, na Zona Portuária do Rio.

O marido da paciente, Denilson Alves da Costa, de 35, sustenta que a médica que atendeu sua mulher no sábado disse se tratar de gases e a liberou após fazer uma ultrassonografia de abdomen e receitar entre outros medicamentos, o Luftal. Para o ajudante de caminhão, o resultado da análise do IML evidencia a negligência do hospital. Ele promete recorrer à Justiça.

— Vou entrar na Justiça. Vou a fundo nisso aí. Minha mulher não está mais aqui, mas eu estou para falar por ela. A gente está vendo um advogado de confiança para entrar nesse caso — afirmou o marido de Raquel, que pretende responsabilizar o município, o hospital e os profissionais que atenderam sua esposa

Procurada novamente nesta quarta-feira, a Secretaria municipal de Saúde informou que o hospital está dando apoio à família e vai abrir uma sindicância para apurar o atendimento à paciente, bem como as circunstâncias de sua morte. Além disso, acrescentou que a morte da mulher está sendo investigada por uma comissão de óbito do hospital, que está esperando receber o laudo do IML para concluir o parecer. A nota diz que a comissão já preparou um relatório, que analisa o caso a partir do prontuário médico, com informações de todo o atendimento prestado à paciente desde a primeira vez que ela esteve na unidade.

A SMS informou também que o hospital deixa claro ter realizado exames de ultrassonografia e hemograma para o diagnósticar o caso da paciente, no sábado passado, dia em que ela buscou atendimento médico reclamando de dor abdominal.O hospital reafirmou ainda que Raquel já deu entrada no hospital em óbito. Segundo o marido, a mulher chegou desmaiada. O caso também está sendo investigado pela 34ºDP (Bangu).

Raquel teve o bebê, uma menina, no último dia 25 e recebeu alta no começo da semana seguinte. Mas, poucos dias depois passou a reclamar de dores na barriga. Como o problema se agravou, no sábado foi levada de volta à unidade, onde após medicada foi liberada. Na madrugada de domingo, ela retornou ao hospital.

A criança continua internada na UTI neonatal, por necessitar de cuidados. Ela teria engolido água do parto, além de apresentar um problema na garganta. Seu quadro é estável, segundo o hospital.

Raquel trabalhava como autônoma vendendo produtos em casa, como roupas, perfumes e hidratante, para ajudar nas despesas. A família é evangélica e mora em Realengo. O casal que estava junto havia dez anos tem ainda um menino de 5 anos.

Veja a nota da SMS, na íntegra:

A direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer vai abrir sindicância para apurar as circunstâncias e o atendimento prestado à sra. Raquel. A unidade está dando todo o apoio para a família da paciente nesse momento de dor. O bebê está internado na UTI neonatal com quadro estável.

O Hospital Albert Schweitzer deixa claro que foram realizados exames de ultrassonografia e hemograma para o diagnóstico do caso da Sra.Raquel no dia em que ela buscou atendimento com queixa de dor abdominal.

No domingo, Raquel já deu entrada no hospital em óbito.

A morte dela está sendo investigada pela comissão de óbito do hospital, que aguarda o laudo do IMl para concluir o parecer. A comissão já preparou um relatório, que analisa o caso a partir do prontuário médico, com informações de todo o atendimento prestado à paciente desde a primeira vez que esteve na unidade.