Família que perdeu casa em área de encosta da Niemeyer recomeça vida com aluguel social

Quase dois meses após terem que sair do local onde viviam, numa área de risco às margens da Avenida Niemeyer, na Zona Sul do Rio, o catador Marcio da Silva França, de 50 anos, e seus três filhos dão agora os primeiros passos para recomeçar a vida num lugar seguro. A família começou a receber o aluguel social, e planeja deixar o abrigo da prefeitura nesta segunda-feira, dia 27.

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O GLOBO mostrou a história deles no fim de maio. Marcio e os filhos, três meninos de 4, 7 e 11 anos viviam numa casa improvisada às margens da Avenida Niemeyer, em São Conrado, próximo do antigo Motel Vip's. Após receber uma denúncia, uma equipe da subprefeitura da Zona Sul esteve no local e derrubou a moradia irregular. A família foi retirada e levada para um abrigo na Zona Oeste.

Mas a falta de privacidade e a necessidade de ter seu próprio espaço, claro, incomodava a família. Na última sexta-feira, dia 24, o pai recebeu o primeiro aluguel social e começou a busca para uma nova casa para se mudar com as crianças. São R$ 400 durante pelo menos 6 meses, para custear o aluguel do imóvel escolhido, um conjugado na Taquara, próximo do abrigo onde estão os quatro.

– É pequenininha, mas vai ser nosso cantinho para a gente finalmente deixar o abrigo – celebra o pai.

Marcio trabalhava como cuidador de quadra no Parque Ecológico da Rocinha, fazendo a manutenção do saibro da quadra de tênis, onde o filho mais velho, Mateus, praticava o esporte. Foram oito meses no local, trabalhando com carteira assinada, mas ele acabou sendo dispensado quando a pandemia começou.

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Desempregado, foi nesse período que ele teve que recorrer a se mudar com os filhos para a encosta. Sem dinheiro para construir a casa improvisada totalmente com materiais de alvenaria, se virou como deu com materiais que ia encontrando. Problemas de relacionamento com a mãe dos meninos também forçaram a saída da família da Rocinha.

– Sou nascido e criado na Rocinha, mas minha mulher foi embora e eu tive que sair de lá. Ela e o atual marido me ameaçavam, diziam que iam tirar as crianças de mim, mas ele maltratava meus filhos. Não tinha como permitir isso. Sabia que ela não tinha condições de criar as crianças – conta.

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Na época, o caçula Josué ainda era um bebê de colo, com um ano, e para cuidar dos filhos, o pai precisou parar de trabalhar na maior parte do dia. Só aproveitava o tempo em que os meninos estavam na escola para catar material reciclável pelas ruas do bairro e tentar tirar dali algum sustento. Mas a família sobrevivia, basicamente, de doações:

– Conheci uma moça do Vidigal que me dava 15 pães toda terça e sexta-feira, e uma pessoa da Gávea me dava uma cesta básica – conta.

Se preparando para a mudança de casa, a família ainda tem poucos móveis e eletrodomésticos, a maior parte fruto de doações. Alguns dos bens foram recolhidos pela prefeitura, e devem ser devolvidos. O próximo passo é conseguir um emprego. Marcio já passou por algumas seleções nestes dois meses, mas a falta de formação e de experiência ainda é um entrave. Na terça-feira, 28, ele tem uma entrevista para uma vaga de auxiliar de cozinha num restaurante em Ipanema.

– Trabalho no que aparecer para conseguir para cuidar dos meninos e dar uma vida digna a eles.

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