Família tenta nova visita a rapaz preso confundido com filho de traficante

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RIO — Familiares do assistente de logística Vinicius Matheus Barreto Teixeira, de 21 anos, voltaram nesta segunda-feira ao Presídio José Frederico Marques, em Benfica, para tentar uma nova visita ao jovem, preso há uma semana por ter sido confundido com o filho de um traficante. Em Macaé, onde a família mora, teve protesto pela liberdade dele.

O jovem foi preso após ser identificado como filho do traficante Messias Gomes Teixeira, o Feio, de 42 anos, que teria envolvimento com o tráfico de drogas do Morro do Palácio, no Ingá, em Niterói. A confusão aconteceu porque o pai de Vinícius tem o mesmo nome e sobrenome que o traficante.
— Tem sido cansativo. A gente só quer ver o Vinicius, bem, do lado de fora da cadeia — diz o pai de Vinicius, Messias Gomes Teixeira, de 46 anos, homônimo do criminoso, que, na verdade, é funcionário de uma empresa de transporte de equipamentos.
Segundo o pai, a cidade de Macaé está mobilizada para a saída do filho:
— Sábado teve carreata, hoje teve protesto no centro de Macaé. A cidade está apoiando demais. O caso está muito conhecido.

Segundo amigos e familiares, Vinicius não sabe nem o motivo pelo qual está preso.
— Ele está pagando pelo quê? Por estar na igreja tocando? — diz o pastor Wanderson Vieira, amigo da família.
O verdadeiro criminoso foi preso em julho de 2018, apontado com uma dos chefes do tráfico do Morro do Urubu, em Pilares, na Zona Norte do Rio.
A prisão aconteceu na segunda-feira, quando Vinicius estava trabalhando, em Niterói. Segundo os familiares e advogado do jovem, houve erro da polícia no momento da identificação do traficante.
O advogado Daniel Augusto Sampaio de Carvalho, que também está defendendo o rapaz, diz que, na próxima quarta-feira, entrará com um novo pedido de habeas corpus, além do que já impetrou, na quarta-feira passada, na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, a ser analisado pela desembargadora Kátia Maria:
— Por causa do feriado, a previsão de resultado será só na quarta-feira. Eu vou tentar despachar também no mesmo dia um pedido pela 4ª Vara Criminal, que foi onde todo o erro começou.
No documento que será despachado, o advogado alega que o Ministério Público se baseou somente no depoimento de um dos presos na operação "Bozo Niterói", de 2018, no ano em que o traficante Messias, o Feio, foi preso, que relata que o filho do criminoso teria a atuação no recolhimento do dinheiro da venda de drogas no Morro de Palácio. O mandado de prisão contra Vinicius foi expedido no mesmo ano.
A defesa de Vinícius conseguiu, no último sábado, uma visita extraordinária para a família do jovem. Na ocasião, o advogado e os familiares disseram que o assistente de logística estava muito abalado.
Além do trabalho, Vinicius, no tempo livre, gosta de participar das atividades da igreja, onde o pai é diácono e líder do grupo de adolescentes. De acordo com a família, ele é músico, toca contrabaixo, teclado e bateria nos cultos da Comunidade Evangélica Shalom. No dia da visita, ele disse que conseguia ouvir os amigos do lado de fora da prisão.
Na última nota divulgada sobre o caso pela Polícia Civil, a corporação informou que "foi cumprido o mandado de prisão expedido pela Justiça por um fato ocorrido em 2017, quando a corporação estava subordinada à então Secretaria de Segurança" e que o caso está com a Justiça. Já o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) diz que os processos para o pedido de liberdade ainda não têm decisão.

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