Famílias imigrantes separadas ganharam tempo com ordem de suspensão de deportações, dizem advogados

Por Jonathan Allen
Yeni Gonzalez Garcia, da Guatemala, se reúne em Nova York com seus filhos, de quem tinha sido separada 13/07/2018 REUTERS/Brendan McDermid

Por Jonathan Allen

NOVA YORK (Reuters) - Os advogados de famílias de imigrantes separadas pelo governo dos Estados Unidos na fronteira com o México disseram que a ordem de um juiz federal que proíbe deportações rápidas até ao menos a próxima terça-feira lhes dará algum tempo enquanto lutam para ter acesso aos clientes.

As famílias foram separadas em meio a uma repressão mais abrangente do governo do presidente Donald Trump à imigração ilegal, algo que provocou revolta em todo o mundo e uma ação civil da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). O presidente ordenou a suspensão da prática em 20 de junho.

    Em ordem emitida na segunda-feira, o juiz Dana Sabraw se alinhou à ACLU, que argumentou que os pais ameaçados de deportação iminente deveriam ter uma semana para decidirem se querem deixar os filhos nos EUA para solicitar asilo separadamente.

Sabraw pediu ao governo para responder antes da próxima audiência de 24 de julho, e suspendeu as deportações rápidas até então.

    A ordem do juiz deu mais tempo para os advogados "entenderem o que a reunificação significará para nossos clientes", disse Beth Krause, advogada supervisora do Projeto Jovem Imigrante da Sociedade de Amparo Legal, sediada em Nova York.

    Em um veredicto relacionado a outro caso emitido nesta terça-feira, a Sociedade de Amparo Legal conseguiu uma ordem judicial temporária que impede o governo de transferir qualquer uma das dezenas de crianças imigrantes separadas que o grupo representa em Nova York sem um mínimo de 48 horas de aviso.

    A determinação também obriga Washington a dizer com antecedência se as crianças estão sendo transferidas para que possam ser libertadas, detidas com suas famílias ou deportadas.

    A Sociedade de Amparo Legal pediu uma medida liminar de emergência, argumentando que o governo está transferindo crianças e pais rapidamente sem lhes dar tempo de consultar advogados sobre as possíveis consequências legais, incluindo sua remoção do país.

    Ao menos dois de seus clientes jovens devem ser transferidos para um centro de detenção do Texas que não tem licença para abrigar crianças, disse o grupo, e outras crianças devem ser transferidas para localidades desconhecidas.

    A juíza Laura Taylor Swain, de Manhattan, disse que os efeitos de sua decisão expiram na quinta-feira, a menos que seja prorrogada ou modificada por outro juiz, e que se aplica somente aos clientes da Sociedade de Amparo Legal, e não a todas as crianças separadas.