Famílias que vivem no entorno da Lagoa de Piratininga, em Niterói, perdem tudo após chuvas e culpam obra

Giovanni Mourão
·2 minuto de leitura
Divulgação

NITERÓI — Após as fortes chuvas do último dia 8, moradores da comunidade da Ciclovia, na beira da Lagoa de Piratininga, tiveram suas casas alagadas e perderam quase todos os seus móveis. O drama atingiu mais de 15 famílias e, segundo moradores, ocorreu devido às obras do Parque Orla Piratininga: a terra acumulada pelas intervenções, que ocorrem ao lado da comunidade, entupiu o valão que escoava a água para a lagoa, retendo-a nas ruas.

No dia 11, o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) visitou a comunidade e enviou um ofício à prefeitura pedindo ações emergenciais. Também protocolou representação no Ministério Público do Rio (MPRJ).

Uma das vítimas é Ademaria Nascimento: moradora da comunidade há 47 anos, ela diz nunca ter passado por situação parecida. Lixo e animais como cobras, lacraias e até um jacaré apareceram em sua casa, conta.

— Em minutos de chuva, uma água fedorenta começou a entrar na minha casa, e quando vi já tinha destruído o pouco que eu tinha. Perdi dois sofás, uma pia que ainda seria instalada, mesa, micro-ondas, geladeira, torradeira, liquidificador, aparelho de som, tapetes, canil... Chorei a noite toda e, ao acordar, joguei minhas coisas fora — relembra Ademaria, que teme que uma nova chuva cause mais estragos.

Rosicleide Ferreira também acumulou perdas:

— Minha casa ficou pura lama. Perdi guarda-roupas, fogão, colchão de casal, televisão, móveis, roupas e mantimentos. Meu sofá também foi destruído e só não joguei fora porque não teria onde me sentar. Estou triste demais. Espero que a gente seja ressarcida.

A prefeitura informa que pôs uma escavadeira na Avenida Conselheiro Paulo Mello de Kalle para limpar o canal e melhorar o escoamento. E que contratou uma empresa para elaboração de projeto para solucionar os problemas, mas que “o fluxo do Rio Arrozal não foi interrompido pela obra”. Disse ainda que enviaria uma equipe na sexta-feira para avaliar a situação e que, para obter mais informações, as famílias devem ir ao Cras do Cafubá, na Rua José Luiz Erthal 320.

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