Família de criança que passou a noite sozinha em aeroporto vai receber indenização

O menino estava viajando sob os cuidados da empresa para passar as férias na casa do pai, em Roraima (Foto: Reprodução Facebook)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Menino de 8 anos viajava sob os cuidados da empresa e dormiu no chão do aeroporto

  • ‘Eles não sabiam dizer onde e com quem ele estava’, conta a mãe, que ficou 6h no telefone tentando achá-lo

Por determinação da Justiça, a companhia aérea Gol vai pagar uma indenização de R$ 20 mil à família do menino Guilherme, de 8 anos, que foi obrigado a dormir uma noite sozinho no chão do aeroporto de Guarulhos (SP). No dia 12 de dezembro do ano passado, ele viajava sob os cuidados da empresa de Goiás, onde mora com a mãe, para Roraima, onde passaria as férias na casa do pai.

“Todos os anos, ele vai passar as férias com o pai. Guilherme já tinha feito essa viagem sozinho, mas por outra companhia aérea. Nesse ano, a passagem foi comprada pela Gol, o pai dele fez todos os procedimentos corretos e pagou a taxa de acompanhamento. Eu fui no juizado de menores e fiz a liberação. Como já estamos acostumados, fizemos tudo certinho”, conta a mãe em entrevista à Revista Crescer

A viagem tinha uma conexão no aeroporto de Guarulhos. Às 22h, a companhia aérea informou a mãe que o voo para Roraima, planejado para as 18h, estava atrasado. Disseram que o menino seria levado para um hotel, porque o voo seguinte só sairia de manhã, e deram um número de telefone para o qual ela poderia ligar para receber notícias do filho, que não tem celular.

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No entanto, às 9h da manhã do dia seguinte, ninguém atendeu o telefone. Depois de mais de uma hora tentando, a mãe percebeu que a linha havia sido desligada. Ela tentou ligar na central da Gol:

“Eles não sabiam informar com quem e onde ele estava. Na época, meu filho mais novo tinha apenas 2 meses, fiquei muito nervosa, foram mais de uma hora e 40 minutos na linha e eles não sabiam dizer nada. Fiquei desesperada. Minha mãe já queria ir na Polícia Federal, não sabíamos mais o que fazer. Aí a atendente começou a me dar nomes de hotéis onde ele poderia estar. Com ela numa linha, eu ligava para todos os hotéis que ela me passava por outro telefone e nada.”

A mãe só conseguiu localizar o filho às 15h, após seis horas tentando. A mãe conta que, quando conseguiu falar com Guilherme, o menino contou que havia passado a noite no chão do aeroporto. Durante o processo, a empresa explicou que a funcionária que o recebeu quando ele chegou em Guarulhos não pode ficar com ele o tempo todo, porque seu expediente já havia terminado. Ela pediu que a criança permanecesse sentada, aguardando outra funcionária – que nunca chegou.

“Foi bem cansativo e complicado. No dia seguinte, a Gol extornou a taxa de acompanhamento, mas não adiantava: a gente pagou pelo serviço, não adiantava devolver o dinheiro. Em conversa com o pai dele, decidimos entrar com um processo, pois foi muita falta de responsabilidade.”

De acordo com o advogado que representou a família, Léo Rosenbaum, é especializado em direitos dos passageiros aéreos. Ele explica que, como se tratava uma ação individual e não coletiva, os juízes decidiram aumentar o valor da indenização por danos morais. Em média, os valores nesses casos variam entre 5 e 10 mil reais.

A Gol se pronunciou dizendo que "não comenta sobre ações judiciais".

A mãe do menino afirma que no final desse ano ele vai fazer a viagem sozinho de novo, mas por outra companhia aérea. “E acredito que vou dar um celular pra ele, nem que seja só para viajar", completou.