Família morta estava no Chile em viagem de comemoração de aniversário

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A família dos seis turistas brasileiros encontrados mortos em um apartamento no Chile havia viajado para Santiago para comemorar o aniversário de Caroline Nascimento de Souza, uma das vítimas, que faria 15 anos nesta sexta-feira (24).

Além de Caroline, também morreram seu pai, Fabiano de Souza, 41; sua mãe, Débora Muniz Nascimento de Souza, 38; seu irmão Felipe Nascimento de Souza, 13; e seus tios Jonathas Nascimento, 30 e Adriane Kruger. Jonathas era irmão de Débora.

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Familiares identificaram as vítimas na manhã desta quinta-feira (23). Ainda não há informações sobre data e local do velório e sepultamento das vítimas. A prefeitura de Biguaçu, na Grande Florianópolis (SC), onde viviam quatro das seis vítimas, disse que há planos para um velório coletivo.

Os pais dos dois adolescentes moravam no Balneário de São Miguel em Biguaçu. Jonathas também era catarinense, mas vivia em Hortolândia (a 97 km de São Paulo), na região de Campinas. Sua mulher, Adriane, era natural de Goiás.

Em Hortolândia, Jonathas era funcionário do departamento pessoal do Iatec (Instituto Adventista de Tecnologia). A empresa atende exclusivamente a rede de igrejas adventistas com consultoria, suporte e manutenção de sistemas de informática. Em nota, o Iatec lamentou o ocorrido e informou que Jonathas estava em período de férias.

"O Iatec está oferecendo todo apoio aos familiares neste momento difícil e de profundo pesar", disse.

Os corpos foram encontrados na tarde de quarta-feira (22) em um apartamento em Santiago, no Chile. Os turistas estavam a passeio no país havia cerca de uma semana, e se hospedavam em um apartamento reservado pelo site de locações Airbnb.

Familiares no Brasil dizem que as mortes foram causadas por vazamento de gás -mesma suspeita da polícia chilena. O comandante da polícia do país, Rodrigo Soto, disse ao jornal "El Mercurio" que os policiais encontraram um forte cheiro do gás quando entraram no apartamento.

Ao todo, 25 bombeiros chilenos participaram da ocorrência -eles fazem a perícia para comprovar o o vazamento. Trabalham com três hipóteses: o gás pode ter vazado do aquecedor de água, do aquecedor geral ou do gás de cozinha. As janelas do apartamento, que fica no sexto andar, estavam fechadas. Pelas condições que foram encontrados os corpos, se presume que a intoxicação aconteceu muito tempo antes.

O site do jornal local La Hora noticiou que a noite de terça (20) foi a mais fria registrada no país: as temperaturas chegaram a 1ºC negativo na região central de Santiago. Isso, supostamente, justificaria a necessidade de se fechar as janelas e ligar a calefação, de onde teria vindo o gás.

A informação está de acordo com as temperaturas registradas pelo site de medição de temperatura Weather.com, segundo o qual os dias 21 e 22 de maio foram os mais frios do mês na capital chilena.

O edifício onde ocorreram as mortes fica na esquina das ruas Santo Domingo e Mosqueto, na região conhecida como Bellas Artes, centro de Santiago.

A tragédia foi antecedida por outra perda familiar: a mãe de Jonathas e Débora, que tinha câncer, morreu em Florianópolis na terça-feira (21). A família já tinha sido informada e planejava antecipar o retorno para estar presente no velório.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do Consulado-Geral do Brasil em Santiago, disse em nota que acompanha o caso dos brasileiros mortos na cidade, prestando assistência com a expedição de atestados de óbito e contato com autoridades locais. Diz ainda que "não há previsão legal para o pagamento" do traslado dos corpos até o Brasil pelo Governo Federal.

A família dos turistas organiza uma campanha de arrecadação para trazer os corpos das vítimas ao Brasil. A campanha foi criada na manhã desta quinta-feira (23), e pede R$ 100 mil.

O Airbnb, ferramenta pela qual o casal alugou o apartamento, prometeu dar assistência aos parentes das vítimas. "Estamos profundamente consternados com este trágico incidente. Nós nos solidarizamos com os familiares e estamos em contato para prestar todo apoio necessário aos familiares neste momento difícil. A segurança de nossa comunidade de viajantes e anfitriões é a nossa total prioridade", disse a empresa, em nota.

O aplicativo possui um seguro para proteger danos aos imóveis e indenizar os proprietários se ocorrerem problemas. Em situações de acidentes com turistas, as situações são avaliadas caso a caso, segundo a assessoria de imprensa do Airbnb.

Da FOLHAPRESS