Familiares dos três meninos desaparecidos em Belford Roxo fazem protesto neste domingo

Cintia Cruz
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Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Uma semana após três crianças terem desaparecido em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, familiares e vizinhos participaram de um protesto neste domingo, dia 3. Lucas Matheus, de 8 anos, Alexandre da Silva, de 10, e Fernando Henrique, de 11, moram no bairro Castelar e foram vistos pela última vez na Feira de Areia Branca, no bairro de mesmo nome. Com cartazes, os manifestantes saíram do Hospital Municipal de Belford Roxo, seguiram para a Feira de Areia Branca e terminaram a caminhada na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga o caso, através do Setor de Descoberta de Paradeiros.

— Quando chega a noite é pior porque são vários pensamentos, de ele estar na rua, com frio. Quando falam que viram eles na rua, a gente sai e quando chega ao local são outras crianças. Já estivemos em Campo Grande, Santa Cruz, Flamengo, Cabuçu, Duque de Caxias. Queria que a polícia ficasse em cima para achar alguma pista. Está demorando muito — criticou Rana Jéssica da Silva, de 30 anos, mãe de Alexandre.

Segundo familiares, os meninos foram vistos por volta das 18h do dia 27 de dezembro, na Feira de Areia Branca

Camila Paes da Silva, de 29 anos, mãe de Lucas Matheus, o mais novo dos meninos, disse que o filho nunca tinha saído para brincar longe de casa:

— Foi a primeira vez que ele fez isso. Ele sempre brincava ali perto de casa mesmo. Eles ainda chamaram outros meninos, mas ninguém foi. Só eles três. Não avisaram a ninguém que iam para a feira.

As responsáveis dos meninos foram recebidos na DHBF por cerca de 30 minutos. Sílvia Regina da Silva, avó de Lucas e Alexandre, disse que amanhã, segunda-feira, vai voltar à especializada para uma reunião com o titular:

— Eles estão investigando, mas disseram que não podem dar todas as informações. Marcaram com a gente amanhã à tarde com o titular responsável por essa investigação porque vai continuar investigando. Estou confiante no trabalho da polícia.

Outras mães que tiveram seus filhos desaparecidos também participaram do protesto. A fundadora da ONG Mães Virtuosas do Brasil, Luciene Pimenta Torres, disse que a Baixada Fluminense precisa de uma delegacia especializada em desaparecidos:

— Ao longo desses 11 anos, o que a gente pede é uma delegacia especializada na Baixada, mas com muito boa qualidade de investigação. A gente tem uma história com começo, que é o desaparecimento, o meio, que é a familia sofrendo e o final é um ponto de interrogação porque ninguem dá uma resposta. Quem tem um filho desaparecido é muito triste vir numa delegacia de homicídio ainda sem saber o que aconteceu. Essa palavra homicídio é muito pesada — afirmou Luciene, que tem uma filha desaparecida desde 2009.

O EXTRA tentou contato com o delegado Uriel Alcântara, titular da DHBF, mas não conseguiu.