Familiares e amigos se despediram neste sábado de Zeca Borges, criador e coordenador do Disque Denúncia

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Familiares e amigos se despediram neste sábado de Zeca Borges, o criador e coordenador do Disque Denúncia, que morreu na madrugada da última sexta-feira no Rio, aos 78 anos. O sepultamento aconteceu no Cemitério da Penitência, no Caju. Durante a cerimônia, Zeca foi lembrado pela sua personalidade cativante e agregadora, que uniu autoridades, acadêmicos, imprensa e a população entorno do tema da violência no Rio nas últimas três décadas, enquanto atuou à frente do projeto.

Zeca era casado, deixou dois filhos e dois netos. Seu filho mais velho, o procurador de justiça Pedro Brum, que estava numa conferência em Paris e retornou ao Rio para o velório do pai, destacou a determinação do criador do Disque Denúncia e lembrou alguns dos ensinamentos que ele lhe deixou.

— O meu pai me preparou para muitas coisas mas não para esse momento. Foi algo inesperado. Ele não me preparou para esse momento, mas me preparou para vida, para muitas coisas que eu não podia ver. Uma passagem que eu me lembro muito dele foi quando ele assessorava o Marcelo Allencar (ex-prefeito e ex-governador do Rio) e sugeriu como um jingle de campanha a música que dizia assim: "só quero saber do que pode dar certo". Isso diz muito sobre o que ele é, uma pessoa que se dedicava muito e acreditava no que fazia. Essa vontade de construir algo novo sempre esteve com ele. Mas, para mim, ele vai ficar marcado como pai que me levava para a natação, que me ensinou que no futebol é preciso usar o corpo para proteger a bola e me ajudava a estudar física. Conversando com a minha filha de 6 anos, ela disse que a lembrança que ela tem dele é de ser um avô brincalhão, que era como ele era na vida pessoal — conta.

Secretária pessoal de Zeca nos últimos dez anos, Lea Lopes recordou a dedicação que o chefe tinha pelo trabalho e a forma carinhosa como lidava com todos. Ela diz que, durante a pandemia, ele passou a se preocupar muito com a saúde dos integrantes de sua equipe.

— Ele era incrível para trabalhar, uma pessoa com o coração grande, generoso, ajudava a todos. Ele tinha um carinho muito grande com as pessoas que colaboravam com ele. Ele adorava ideias novas, abraçava sempre as boas sugestões, incentivava a equipe. Mas também era muito brincalhão, gostava de filosofar e não gostava de assunto de morte, dizia que ia viver até os 60 anos, depois era lucro — lembra ela.

Durante os 26 anos em que coordenou o Disque Denúncia, Zeca se destacou pelo seu perfil agregador. O jornalista Arnaldo César, que conviveu com ele nos últimos 30 anos, diz que o amigo teve atuação determinante na interlocução entre pesquisadores, a imprensa e as autoridades da Segurança pública.

— Ele era uma fonte de informação muito preciosa. A cada 15 dias a gente se encontrava e conversávamos sobre a área de segurança pública. Durante todos esses anos, ele conquistou uma relação de confiança muito grande com a imprensa. Era uma pessoal muito afável, adorava contar histórias. Como se diz no interior, era um causeiro, contava causos. Ele construía pontes entre as Redações e as autoridades da segurança pública. No fim do ano, ele fazia um almoço na casa dele e reunia jornalistas, o pessoal da academia que estudava a violência, e policiais — recorda.

Zeca Borges era gaúcho, criou em 1995 no Rio, o Disque Denúncia, uma central de atendimento de ligações anônimas sobre atividades criminosas. Em 26 anos, o Disque-Denúncia recebeu mais de 2,7 milhões de telefonemas que ajudaram a prender 22 mil criminosos. O projeto se expandiu para outros estados e também para a Argentina e o Chile.

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