Familiares de jovem desaparecida são aguardados no IML para reconhecer corpo encontrado no Fundão

Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Agência O Globo

A polícia espera que a família da jovem Bianca Lourenço, de 24 anos, desaparecida há dez dias, reconheça um corpo que foi encontrado por policiais militares dentro de um tonel à beira da Praia do Fundão, em um ponto atrás do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão, na noite desta terça-feira. Caso o corpo — que está no Instituto Médico Legal (IML), na Região da Leopoldina — não seja reconhecido por parentes, os investigadores pedirão um exame de DNA.

Para o delegado Moyses Santana, titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), “tudo indica que o corpo é da jovem”. Porém, ele é cauteloso:

— (Mas) só poderemos afirmar de fato, quando o laudo do IML sair — afirmou.

Segundo a polícia, as tatuagens nas pernas e no tronco levantaram a suspeita de que o corpo pode ser da jovem desaparecida. Até às 8h30 desta quarta-feira nenhum parente da jovem havia chegado no IML.

Moradora da favela Kelson’s, na Zona Norte do Rio, a jovem foi vista pela última vez enquanto era agredida e arrastada na comunidade por um ex-namorado, o traficante Dalton Vieira Santana, conhecido como "DT". Ele é o principal suspeito da morte.

— Acordei com uma dor no peito hoje de manhã. Parecia um presságio. Senti que algo iria acontecer. Meu Deus, que dor! Muita dor! Estou passando mal — desabafou ao EXTRA o pai da jovem. Sem condições de identificar o corpo, o professor de artes marciais, de 49 anos, pedirá a um parente que faça o reconhecimento.

Segundo a polícia, Dalton era obcecado pela jovem e a monitorava. No dia em que Bianca foi vista pela última vez, o traficante, armado de fuzil, invadiu a casa onde ela dormia na comunidade aos gritos: "Abre a porta ou eu vou arrombar". Ele foi direto para o quarto, bateu com a coronha da arma na boca da jovem e a arrastou até um veículo Hyundai HB20 cinza, estacionado na porta do imóvel.

A cena descrita foi reconstituída pelos investigadores da 22ª DP (Penha) e ocorreu por volta de meio-dia de domingo, dia 3 de janeiro. Segundo a polícia, Dalton é um dos chefes do tráfico do Complexo da Penha e da favela Kelson's, também na Penha. Ele havia sido avisado por um comparsa, o traficante Enzo da Silva da Silva Costa, o "Da Mamãe KS", de que Bianca estava na casa de amigos no morro.

Por volta de 12h30m de domingo, Enzo teria visto, por uma brecha da janela, a jovem dormindo no imóvel. Em seguida, o traficante, uma espécie de homem de confiança de Dalton, avisou ao chefe sobre a localização dela, segundo a polícia. Em menos de 30 minutos, Dalton já estava no local. Como Bianca estava de biquíni, o ex-namorado mandou que ela vestisse uma blusa para sairem de lá. A jovem não obedeceu. Respondeu que não iria com ele. Foi então que ela foi agredida com a coronhada no rosto, chegando a aparar o sangue que escorria pela boca com as mãos. Dalton a arrastou à força para o carro, com ajuda de Enzo e outro cúmplice, todos armados.

O casal estava separado desde agosto do ano passado. O fim do relacionamento teria sido uma iniciativa do próprio traficante, que não acreditava que ela aceitaria a separação. Ao contrário do que ele imaginava, logo depois do fim do namoro, Bianca postou numa rede social um desabafo, no qual dizia estar feliz por voltar a viver em paz.

Por volta das 8h de segunda-feira, dia 4, segundo a polícia, moradores do morro teriam tomado conhecimento de que o corpo de Bianca estaria no porta-malas de um carro, com o rosto desfigurado por tiros. O veículo seria semelhante ao usado no dia em que ela foi retirada da casa de amigos.