Familiares preocupados com a 'deterioração física' dos opositores presos na Nicarágua

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Opositores detidos na Nicarágua (AFP/Nicolas RAMALLO)
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Parentes de candidatos presidenciais e líderes da oposição detidos sob a acusação de "conspiração" contra o governo de Daniel Ortega expressaram sua preocupação nesta terça-feira(7) com a "deterioração física" de seus familiares.

É preocupante "a deterioração física de todos (os detidos), que se traduz em extrema perda de peso (entre 12 e 36 quilos), doenças gastrointestinais devido à má alimentação, que tem levado a um estado de desnutrição grave", denunciaram os familiares dos prisioneiros em um comunicado, lido em uma conferência de imprensa virtual.

Também "sofrem de frio extremo devido às baixas temperaturas das celas, (já que) não é permitida a entrada de roupas de cama, cobertores ou agasalhos", criticaram.

Eles também manifestaram especial preocupação pelo isolamento penitenciário sofrido durante três meses pela ex-guerrilheira e dissidente sandinista Dora María Téllez, além das opositoras Tamara Dávila e Ana Margarita Vigil.

"A situação em que os encontramos é lamentável" durante uma visita na semana passada, disse Jilma Herdocia, esposa do ex-vice-chanceler detido e ex-deputado da oposição José Pallais.

Cerca de 34 opositores, incluindo sete candidatos à presidência, foram detidos desde junho pelas autoridades sob a acusação de promover ingerência estrangeira para "minar a soberania", sob uma lei que entrou em vigor há oito meses e que caracteriza essas ações como "traição".

O presidente Ortega descreveu os oponentes presos como "criminosos", "agentes do império ianque", que estariam "conspirando para derrubar seu governo".

No final de agosto, a maioria dos detidos começou a ser processada pelos crimes de "conspiração para minar a integridade nacional", com base nas investigações que o Ministério Público iniciou em maio.

"Eles estão sendo julgados única e exclusivamente por pensar" de forma diferente do governo, afirmou a esposa de Pallais.

Bertha Valle, esposa do candidato presidencial (detido) Félix Maradiaga, denunciou que os processos "correm em sigilo absoluto, violando todos os seus direitos" e que as "audiências devem ser públicas".

Os opositores permanecem em celas "pequenas, com camas de concreto e colchonetes muito finos, em alguns casos com instalações inadequadas, como buracos no chão em vez de sanitários", segundo a nota.

Também não há “acesso a material de leitura ou qualquer outra atividade (...) que lhes permitam permanecer lúcidos”, denunciaram.

O Ministério Público afirmou em notas que “sempre respeitou os direitos constitucionais dos acusados”.

bm/lm/jc

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