Familiares de vítimas de operações policiais protestam em delegacia no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "Quero ir embora, não aguento mais ficar ali [Complexo da Penha], não", desabafa a diarista Patrícia Costa da Conceição, 43, mãe de Douglas Costa Inácio, uma das 23 pessoas mortas em operação policial na Vila Cruzeiro, no Rio, que ocorreu em 24 de maio deste ano.

Patrícia, que vestia uma blusa branca com uma imagem do filho falecido beijando a namorada, estava acompanhada da filha mais nova, de nove anos, em uma manifestação nesta quinta-feira (28) em frente à Delegacia de Homicídios na Barra da Tijuca.

A garota complementou a fala da mãe dizendo: "É muita lembrança, né? Quero mudar para um lugar com criança para eu poder brincar, sem tanta lembrança ruim".

O ato foi organizado pelo Instituto Anjos da Liberdade, que há duas décadas atua na defesa dos direitos humanos para moradores de favelas em casos de violência do estado.

Elas perderam Douglas durante a madrugada da operação. "Eu liguei para ele às 2h, avisando para voltar para casa, porque ele estava numa festa no topo do morro e a gente mora mais para baixo. Às 3h, eu acordo com barulho de tiro e o celular dele não está mais atendendo. Só fui descobrir que tinha morrido às duas da tarde", relata a diarista.

Cerca de 20 manifestantes estiveram no local nesta quinta.

Estava prevista a presença no ato de famílias vitimadas pelas operações policiais na Penha, no Complexo do Alemão e no Jacarezinho --todas comunidades da zona norte que nos últimos dois anos encabeçaram os maiores números de mortes em operações policiais no Rio de Janeiro.

Contudo, segundo a advogada e militante do instituto Fernanda Neiva, 53, os moradores do Complexo do Alemão desistiram de embarcar no veículo destacado para levá-los para a manifestação porque "a polícia está mantendo o cerco" na região, o que gera insegurança nos moradores. "O choque está cercando a comunidade desde a chacina."

Segundo a advogada Flavia Fróes, 47, fundadora do instituto, o ato foi idealizado para ocorrer na frente da DH pelo simbolismo da delegacia.

"Estamos aqui pela importância simbólica de nos manifestarmos contra os arquivamentos, para que não aconteça o que aconteceu com o Jacarezinho", disse. Das 28 mortes que ocorreram na favela, a maioria, 24, terminou com inquéritos arquivados e só quatro motivaram denúncias.

Flavia afirmou nunca ter visto ocorrências como essas terminarem em punição. "Eles matam e eles mesmo investigam", disse.

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