Famoso historiador russo confessa ter matado e esquartejado ex-aluna

Por Marina KORENEVA y Anna SMOLCHENKO en Moscú
O historiador russo Oleg Sokolov, vestido de Napoleão, durante uma reconstrução histórica em 2005 na Rússia

O famoso historiador russo Oleg Sokolov, detido no sábado pela polícia russa com uma mochila na qual havia dois braços de mulher, confessou neste domingo que matou e esquartejou sua jovem companheira sentimental e ex-aluna.

O grande especialista em Napoleão, de 63 anos, condecorado com a Legião de Honra na França em 2003, estava em estado de embriaguez quando a polícia o retirou, no sábado de manhã, das águas do rio Moika, em São Petersburgo.

Sokolov carregava uma mochila na qual foram encontrados dois braços de mulher e uma pistola de alarme. Ele tinha caído no rio quando tentava lançar as partes do corpo da jovem, segundo a imprensa local.

O historiador teria reconhecido sua intenção de se livrar do corpo e de se suicidar publicamente, vestido de Napoleão na Fortaleza de São Pedro e São Paulo, um dos lugares mais emblemáticos de São Petersburgo.

"Reconheceu sua culpa", declarou à AFP Alexandre Potshuev, seu advogado, e acrescentou que Sokolov, atualmente hospitalizado com hipotermia, havia afirmado que lamentava seu ato e estava disposto a colaborar com a polícia.

Na segunda-feira deverá se apresentar ante um tribunal, que decidirá sua prisão.

Sokolov teria declarado aos investigadores que matou sua companheira Anastasia Eshchenko, que morava na casa dele, durante uma discussão. Depois a decapitou e cortou seus braços e pernas para tentar se desfazer do corpo, segundo a imprensa.

A polícia descobriu na casa de Sokolov o corpo decapitado da jovem de 24 anos, com a qual o historiador tinha assinado vários livros, assim como uma serra manchada de sangue.

Este catedrático de história na Universidade Estatal de São Petersburgo, que também ensina na universidade Sorbonne na França, é autor de várias obras sobre Napoleão Bonaparte, e foi consultor em vários filmes e recriações históricas.

Seus alunos o descrevem com um professor talentoso, que fala francês e pode interpretar os papéis de Napoleão e seus generais.

Mas é "estranho", gosta de se vestir de Napoleão, chamar sua companheira de "Josefina" e ser chamado de "Sire" (senhor), afirmaram alguns.

Anastasia Eshchenko também era apaixonada pela era napoleônica e gostava, como ele, de se vestir com trajes de época.

"O que aconteceu é simplesmente monstruoso", declarou sob anonimato um professor da Universidade Estatal de São Petersburgo. Acrescentou que Sokolov é dedicado a seu trabalho, mas também é instável emocionalmente e abusa do álcool.

Vários estudantes desta prestigiosa universidade, onde estudou o presidente Vladimir Putin, disseram que Sokolov é conhecido por seu comportamento hostil, mas que a administração havia ignorado as queixas.

O historiador era membro de alto escalão da Sociedade Militar Histórica da Rússia, dirigida pelo ministro da Cultura, Vladimir Medinski. O organismo suprimiu imediatamente qualquer referência a Sokolov em seu site, segundo a imprensa.

Também trabalhava como conselheiro na França para o Instituto de Ciências Sociais, Econômicas e Políticas (Issep), que o despediu após conhecer sua detenção.