Famosos lamentam a morte da atriz Maria Fernanda, filha de Cecília Meireles

Importante nome do teatro brasileiro, com participações no cinema e na TV, a atriz Maria Fernanda faleceu neste sábado (30), aos 96 anos. Ela estava internada na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. A notícia repercutiu nas redes sociais, em que colegas da atriz prestaram suas homenagens.

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"Essa noite nos deixou Maria Fernanda, foi ser estrela no céu do Brasil", comentou o ator Tuca Andrada. Já a atriz, diretora e produtora Bárbara Bruno publicou: "Essa noite nos despedimos de Maria Fernanda! Essa grande atriz brasileira! Obrigada pela linda trajetória!!! Viva Maria Fernanda!"

"Grande Maria Fernanda! Que descanse em paz", comentou a também atriz Patrícia Pillar, em post do escritor Nilson Xavier, no Twitter. Autor do "Almanaque da Telenovela Brasileira", ele lembrou alguns dos trabalhos de Maria Fernanda na TV, como "Gabriela", "O grito", "Nina", "Pai herói" e "Dona Beija".

Atriz e diretora, Lucélia Santos fez questão de mandar seus sentimentos aos amigos e familiares de Maria Fernanda, enquanto que a escritora Hildegard Angel destacou: "Maria Fernanda, filha da grande poetisa Cecília Meirelles, foi a voz de mais belo timbre dos palcos brasileiros. RIP, maravilhosa!"

Maria Fernanda deixa o filho Luiz Fernando, fruto de seu relacionamento com o diretor de TV, Luiz Gallon, com quem foi casada entre 1956 e 1963.

Única filha ainda viva da poetisa Cecília Meireles (1901-1964) e do ilustrador português Correia Dias (1892-1935), Maria Fernanda iniciou sua carreira em 1948, interpretando a personagem Ofélia, na primeira montagem de “Hamlet” feita no país, ao lado de atores como Sergio Cardoso e Sergio Britto.

Antes de se firmar nos palcos brasileiros, Maria Fernanda passou uma temporada na Europa no início da década de 1950, onde estudou artes cênicas e conheceu figuras como o dramaturgo britânico Bernard Shaw e o mímico Jean-Louis Barrault.

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De volta ao Brasil, ela teve seu primeiro grande destaque como a icônica Blanche DuBois, em quatro montagens diferentes da peça do americano Tennessee Williams. Uma delas em São Paulo, com direção de Augusto Boal, em 1962; e outra em 1963, numa temporada carioca dirigida por Flávio Rangel. Esta última lhe rendeu os prêmios Molière, Saci e Governador do Estado de melhor atriz.

Em 1968, foi detida por policiais militares enquanto apresentava uma remontagem de “Um Bonde Chamado Desejo” em Brasília. O episódio deu início a uma reação da classe artística, que desaguou em uma passeata contra a censura em frente ao Theatro Municipal do Rio. Compareceram artistas como Paulo Autran, Marieta Severo e Odete Lara.

Ainda que tenha atuado no cinema e na TV, foi no teatro que a atriz encontrou seu habitat natural. Em 70 anos nos palcos, trabalhou em textos de autores clássicos (Eurípedes) e modernos (Jean-Paul Sartre, Nelson Rodrigues, Jean Genet). O seu currículo ainda conta com peças de Martins Penna, Tchekhov, García Lorca, Bertolt Brecht, Arthur Miller, Strindberg e Oscar Wilde.

No cinema, Maria Fernanda estrelou produções da Atlântida e da Vera Cruz nos anos 1940 e 1950. Também atuou em produções importantes, como "Joana Angélica" (1979), de Walter Lima Jr., e "Carlota Joaquina, Princesa do Brazil" (1995), marco da retomada do cinema brasileiro, em que interpretou o papel de D. Maria I, a louca. Também participou de novelas como “Gabriela” (1975) e “Pai Herói” (1979).

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