A fantasia da moderação

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Trinta anos vivendo de eleição. Fez empresa familiar — de natureza previdenciária — por meio do voto, inclusive e sobretudo o eletrônico. O próprio exemplo, talvez o exemplo máximo, do sistema fazendo carreira - e fortuna - com a pregação antiestablishment.

Isso é Jair Bolsonaro, o populista autocrático.

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Diga-se que tem o suporte do sistema para a manutenção de seu Sete de Setembro permanente — este estado de golpismo constante. A começar pela pusilanimidade da gestão de Luiz Fux à frente do Supremo, pior que a de Dias Toffoli. Um comando de corte constitucional conversador cuja omissão formal fez radicalizarem-se as vocações justiceiras no tribunal. Some-se a isso o papel de Augusto Aras, acumulador de procedimentos, empilhador de preliminares.

A propósito de sistema, diz-se — planta-se — que Ciro Nogueira teria sido contra o ato de traição ao Brasil, um raro conjunto de crimes de responsabilidade, cometido por Jair Bolsonaro na última segunda-feira. Contra porcaria nenhuma. Nunca foi tão poderoso. Está bom para ele. Sabe exatamente o que faz. Estava lá, endossando o golpismo fisicamente.

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Como endossa o golpismo — a dilapidação progressiva da confiança na República — Arthur Lira, comprado de Jair Bolsonaro pela manutenção de um contrato que tem o orçamento secreto, o controle do orçamento secreto, como cláusula pétrea. São sócios, Lira e Nogueira, dessa quadra miserável; e nunca colheram tantos dividendos. Ao sacrifício de regras fiscais, de regimentos internos e mesmo da lei eleitoral, para cuja violação se atentou contra a Constituição Federal.

Sei que é cômodo, que forja alguma esperança nas instituições, mas já não dá para atribuir a desqualificação do sistema eleitoral - a desqualificação do mandato político - exclusivamente a Bolsonaro e seus militares. Antes, seriam os militares que segurariam Bolsonaro; que o moderariam. Né? De repente, reviravolta: são os militares os a serem contidos.

Fica bem óbvio, pois, que não existem alas no governo. Nunca houve. O que havia era a necessidade de fantasiar algum compromisso republicano no Planalto.

Sob formas diferentes, cada um a seu modo, quem está no Planalto - militar ou civil - está apoiando isso.

Todos apoiadores do caos institucional - dessa indústria de instabilidade, de imprevisibilidade - em nome das próprias barrigas cheias, de dinheiro e de poder.

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