Fantasias de Carnavais passados marcam presença nos blocos em 2022

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SÃO PAULO, SP, 24.04.2022: CARNAVAL-BLOCO-SP - Foliões cantam na apresentação do Bloco Te Pego no Cantinho, que saiu em cortejo pela rua Iquiririm, no bairro do Butantã.  (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 24.04.2022: CARNAVAL-BLOCO-SP - Foliões cantam na apresentação do Bloco Te Pego no Cantinho, que saiu em cortejo pela rua Iquiririm, no bairro do Butantã. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Carnaval de rua fora de época de 2022 ajudou foliões e folionas a relembrar as sensações de Carnavais passados, antes da pandemia de Covid guardar os ímpetos festivos dentro dos armários de casa. A saudade foi manifestada nas fantasias, que, em geral, repetiram padrões de anos anteriores. Nem mesmo as eleições que se aproximam parecem ter animado a imaginação dos carnavalescos de rua.

Bodies, meia-arrastão, hot pants, croppeds e tapa-mamilos. Esses itens já parecem ter se incorporado ao guarda-roupa de fantasias dos foliões e folionas com o passar dos anos. Com diversas variações, claro, como croppeds com meia-arrastão ou meia-arrastão no tronco com tapa-mamilos.

As opções de meias-arrastão, inclusive, agora estão por todo o corpo de quem pula Carnaval e são vendidas em todas as cores e modelos no Saara, no Rio, centro comercial equivalente à rua 25 de Março em São Paulo.

Tudo isso sempre com muito glittler e purpurina.

E foi isso que, mais uma vez, se viu neste Carnaval de Tiradentes. Rarearam as fantasias mais complexas ou preparadas, talvez pelas incertezas que a pandemia ainda traz, ou ainda por se tratar do segundo Carnaval de rua do ano --e deve ainda haver um terceiro, pelo menos em São Paulo.

Não se pode esquecer também das tiaras, quase sempre presentes. A designer Karla Pereira, 41, e as amigas foram algumas das que apostaram em acessórios para compor a fantasia. Com uma tiara de "o golpe tá aí" na cabeça e uma placa de "cai quem quer" no peito, o trio fazia referência a um meme no tradicional Boi Tolo neste domingo (24), no Aterro do Flamengo.

As folionas compraram os itens no mercadão de Madureira, zona norte do Rio: "É que a gente é meio golpista mesmo", ela ri. "Teve até uma menina lá atrás do bloco que brincou com isso de não ter mais fantasia, vestiu uma toalha e uma placa escrito 'não tenho mais roupa para isso'."

A fantasia pode até faltar, mas a criatividade, não. "Já não tenho mais opções no armário, agora é colocar o que sobrou e tacar brilho", diz a carioca Gabriela Souza, 28, que está no segundo feriado e oitavo dia de curtição desde janeiro, vestindo um maiô rosa e sombra prateada.

Nem mesmo as eleições de 2022 serviram de grande inspiração para foliões e folionas de rua de São Paulo e Rio de Janeiro --entre as escolas de samba, a cena política brasileira esteve mais presente. Porém, ocorreram, em algum grau, manifestações contra o governo Jair Bolsonaro (PL) e favoráveis ao ex-presidente Lula (PT).

Na Unidos do Swing, no domingo (24), dia de avenida Paulista aberta aos pedestres, uma foliona que preferiu não se identificar usava um boné vermelho onde se lia "Make Lula President Again" --uma ressignificação da frase "Make America Great Again" e do boné que foram usados por Donald Trump, ex-presidente dos EUA.

Ombreiras com lantejoulas, capas coloridas e coletes com lantejoulas também tiveram algum grau de presença neste Carnaval. E assim como a designer carioca Karla e suas amigas, do Rio, outros carnavalescos também apostaram nas plaquinhas e escritos com trocadilhos.

É o caso da fisioterapeuta Mariana Oliveira, 36, que carregava um cartaz escrito "virei uber, te pego quando?".

Já um trio de amigos no bloco Cornucópia Desvairada, que desfilou na Barra Funda, apostou em uma releitura da música "Girl From Rio", da Anitta. Cainã Perri, o arquiteto Elias Bastos e Ale Leal, consultor de direitos humanos, estavam com croppeds em que se lia "Girl From Tabatinga", "Girl From ABC" e "Girl From Cariacica". Para completar o look, uma sunga cavada amarela.

"O negócio é pegar o momento que é da Anitta e dar nosso toque pessoal", explica o trio que diz que o lema deles é: "não importa de onde você é, seja piranha".

Mas, como sempre, há quem coloque um pouco mais suor sobre as fantasias, antes mesmo dos desfiles de rua.

A cubana Lilibell, que vive no Brasil desde 2011, pela primeira vez, resolveu se fantasiar de rainha. "É como me sinto inspirada, uma rainha. Também quis transmitir um empoderamento e mostrar a nossa força em meio ao desgoverno. Teve Carnaval fechado, mas [a prefeitura] não apoiou o de rua. Carnaval não é só diversão, é uma manifestação também."

A figurinista Yumi Kurita, 31, confeccionou a própria roupa. Tecido transparente, com pequenos furinhos, e reproduções de vulvas em diversos tamanhos e cores. Ela diz que se inspirou na série "Sex Education", da Netflix, para construir o modelo e o nomeou como Show da Xotota. A foliona diz que sua intenção é normalizar a diversidade existente das vulvas.

Já a foliona Mariel Candido, 38, fez uma homenagem ao meio ambiente. "Em 2020 a fantasia era de onça e, dessa vez, resolvi vir de pantera. É uma maneira de demonstrar respeito à natureza. Carnaval, depois de dois anos, trouxe muita felicidade, mas é momento de representatividade e manifestações também", diz.

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