FAO elege o sucessor do brasileiro José Graziano da Silva

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Os 194 delegados da FAO escolhem neste domingo em Roma o novo diretor desta agência das Nações Unidas encarregada de erradicar a fome no mundo.

Representantes da China, Geórgia e França são os favoritos para a sucessão do brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que na véspera presenciou uma ofensiva dos Estados Unidos em prol do candidato chinês.

A eleição do novo diretor, que presidirá a agência da ONU por quatro anos, será realizada na sede da organização, em Roma, por votação secreta.

Os países participarão de uma votação-chave, na qual cada país representa um voto.

Apesar de Washington e Pequim estarem travando uma dura guerra comercial há meses, o candidato chinês foi o único a citar no sábado como um possível parceiro da FAO a fundação americana Bill e Melinda Gates, fundada pelo ex-presidente da Microsoft.

Esta fundação está fortemente envolvida na pesquisa agrícola na África e promove sementes geneticamente modificadas (GMO) para aumentar os rendimentos agrícolas.

O futuro chefe da FAO enfrentará um dos maiores desafios para a humanidade: o aumento da fome no mundo, devido ao efeito combinado do aquecimento global e de conflitos, especialmente na África e no Oriente Médio.

Segundo a ONU, uma estratégia real será necessária para alimentar uma população mundial que atingirá 10 bilhões de pessoas em 2050, 2 bilhões a mais do que atualmente.

A segurança alimentar, o desenvolvimento agrícola, a agroindústria, o comércio, a biotecnologia, o clima e o meio ambiente são algumas das questões em discussão, disse Manuel Lafont Rapnouil, do Conselho Europeu de Relações Internacionais (ECFR).

- Brasil apoia a China -

O candidato chinês é o vice-ministro da Agricultura, Qu Dongyu, de 55 anos, que está entre os favoritos, já que deveria contar com o apoio dos chamados países do G77, entre eles vários latino-americanos.

O Brasil anunciou em maio seu apoio a Qu Dongyu.

O apoio acontece apesar do alinhamento diplomático do governo do presidente Jair Bolsonaro com os Estados Unidos, imerso em uma guerra comercial com a China.

Segundo o ex-embaixador brasileiro em Washington e atual presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), Rubens Barbosa, tratou-se de uma decisão "normal".

"Não me surpreende, porque a posição do governo Bolsonaro mudou. No início, tinha uma retórica contra a China, mas isso mudou totalmente, porque a China é o principal sócio comercial do Brasil", disse Barbosa à AFP.

A China aspira "mais e mais a posições de responsabilidade dentro da ONU", disse, por sua vez, Richard Gowan, analista do CrisisGroup, um centro não-governamental de análise de assuntos internacionais.

Além disso, o candidato chinês, biólogo de formação, trabalhou durante 30 anos no setor agrícola e alimentar, no desenvolvimento de tecnologias digitais para agricultura e áreas rurais, onde também introduziu o microcrédito.

O candidato georgiano, Davit Kirvalidze, ministro da Agricultura de seu país de 2000 a 2004, acredita que "o setor privado deve produzir mais e melhor", declarou à AFP durante uma entrevista por telefone.

"Conheço a fome, sofri pessoalmente, e é com isso que contribuo", afirmou durante uma conferência na FAO, na qual defendeu "a luta contra o desperdício de alimentos", "investimentos em comunidades rurais" e "digitalização" da agricultura.

A França indicou, por sua vez, a primeira mulher a tenta ocupar essa posição nos 74 anos da FAO.

Trata-se de Catherine Geslain-Lanéelle, de 55, ex-diretora da Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA). Ela trabalhou toda sua vida nos setores agrícola e agroalimentar ao mais alto nível.