América Latina necessita investir US$ 12,5 bilhões por ano em água

Brasília, 21 mar (EFE).- A América Latina necessita investir US$ 12,5 bilhões por ano para alcançar as metas traçadas pela ONU para 2030, de acordo com dados apresentados nesta quarta-feira pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) no Fórum Mundial de Água.

"A água deve estar no centro do desenvolvimento sustentável" pois sem ela não haverá crescimento econômico e nem a necessária inclusão social, disse o colombiano Jaime Holguín, representante do CAF no Brasil, durante um dos painéis do fórum realizado em Brasília.

Holguín explicou que o CAF dedica cerca de 5% da sua bolsa de créditos ao setor hídrico, o que representa US$ 3,5 bilhões anuais, mas sustentou que na região existem "níveis de execução muito baixos" e que falta "eficiência" no desenvolvimento dos projetos.

"O investimento em água, que é econômico e social, tem excelente retorno para as sociedades", mas mesmo assim os erros na gestão do próprio recurso e na execução das obras necessárias ajudam ao déficit hídrico regional se manter, apontou.

Em declarações à Agência Efe, Holguín citou, entre os muitos problemas, as recorrentes demoras no desenvolvimento das obras, que acabam por encarecer os projetos e "postergam as soluções", ao mesmo tempo que o crescimento populacional continua e a reivindica aumento.

Segundo Holguín, a América Latina está em condições financeiras de alcançar a meta para a água traçada no ponto 6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que as Nações Unidas colocaram na Agenda 2030.

"O dinheiro está", afirmou o funcionário do CAF, que sustentou que entre esse e outros organismos financeiros, entre os quais citou o Banco Mundial (BM) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), é possível apoiar a construção das infraestruturas necessárias.

No entanto, insistiu que, para avançar ao ritmo requerido, é necessária uma maior "vontade política" e, sobretudo, uma melhor e eficiente gestão dos recursos, sejam financeiros ou hídricos.

O Fórum Mundial, que começou na segunda-feira, terminará na sexta-feira após cinco dias de debates que reúnem na capital brasileira delegações oficiais e empresas de cerca de 150 países, junto a organismos internacionais e da sociedade civil. EFE