FAO: povos indígenas são os melhores guardiões das florestas da AL

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Cacique Raoni Matuktire, em 15 de janeiro de 2020, em Piaracu, perto de São José do Xingu

Os povos indígenas e tribais são os melhores guardiões das florestas da América Latina e do Caribe - estima relatório da FAO publicado nesta quinta-feira (25), que destaca sua capacidade de reduzir as taxas de desmatamento, de perda de biodiversidade e de evitar emissões de CO2.

As taxas de desmatamento na América Latina e no Caribe "são significativamente mais baixas em territórios indígenas e tribais, onde os governos reconheceram formalmente os direitos coletivos à terra", conclui o relatório Governança Florestal por Povos Indígenas e Tribais, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (FILAC).

O relatório foi elaborado com base em mais de 300 estudos publicados nas últimas duas décadas e destaca que, nos territórios coletivos titulados, as populações evitaram entre 42,8 milhões e 59,7 milhões de toneladas métricas (MtC) de emissões de CO2 a cada ano no Brasil, na Colômbia e na Bolívia.

"Essas emissões combinadas foram o equivalente a tirar de circulação entre 9 milhões e 12,6 milhões de veículos por um ano", ressalta.

"Este é o serviço que os povos indígenas e tribais prestam a toda sociedade", disse o representante regional da FAO, Julio Berdegué, ao apresentar o relatório em entrevista coletiva.

"Os povos indígenas e tribais e as florestas em seus territórios desempenham papéis vitais na ação climática global e regional e no combate à pobreza, à fome e à desnutrição", destacou ainda.

Melhorar a segurança nesses territórios é uma forma eficiente e econômica de reduzir as emissões de carbono, alerta o relatório, que defende que os governos invistam em projetos de fortalecimento do papel que os Povos Indígenas desempenham na governança das florestas, reforcem os direitos territoriais comunais, compensem as comunidades indígenas pelos serviços ambientais que prestam e facilitem o manejo florestal comunitário.

Mas seu papel de proteção "está cada vez mais em risco, em um momento em que a Amazônia se aproxima de um ponto crítico, com impactos preocupantes sobre as chuvas e a temperatura e, eventualmente, sobre a produção de alimentos e o clima global", adverte o relatório.

Os povos indígenas ocupam fisicamente 404 milhões de hectares na América Latina, um quinto da área total da região.

Desse total, 237 milhões de hectares (quase 60%) estão na bacia amazônica, em uma superfície maior que a de Alemanha, Espanha, França, Itália, Noruega e Reino Unido somados.

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