Faraó' dos Bitcoins: Braço direito de ex-garçom, sua mulher era responsável por avalizar contratos e assinar promissórias

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No emaranhado financeiro em que o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, de 38 anos, preso na última semana pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), configura envolvido, a seu lado está sua mulher, a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, 38. Considerada foragida e que já está na lista da Interpol para a extradição, a empresária, segundo a PF, é a responsável por avalizar e assinar as notas promissórias que acompanham os contratos de investimento coletivo oferecidos pela GAS Consultoria e Tecnologia LTDA. A empresa promete pagar 10% ao mês do montante investido. Tudo não passa de fraude, segundo os investigadores. Pelas contas de Mirelis passaram R$ 477 milhões em apenas dois anos, segundo a investigação. A Polícia Federal quer saber como o casal movimentou tanto dinheiro.
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No relatório que embasou o pedido de prisão do casal, assinado pelo procurador da república Douglas Santos Araújo e pelo delegado da PF Guilhermo de Paulo Machado Catramby, aponta para “numerosos os elementos que demonstram que Galidson dos Santos, junto com sua companheira Mirelis Zerpa, estão liderando estruturada organização criminosa que movimenta bilhões de reais tanto no sistema financeiro oficial, como também em criptoativos”.
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E o documento sustenta ainda que um relatório produzido pela Receita Federal após o afastamento do sigilo fiscal mostra, “de maneira cabal, que a dupla está fazendo uso de extensa rede de operadores para movimentar enormes quantidades de ativos, denotando, à primeira vista, possíveis delitos contra o sistema financeiro nacional, lavagem internacional de ativos, sonegação fiscal e organização criminosa”. Os investigadores destacam ainda que, ambos “constituíram um gigantesco esquema de captação de recursos de terceiros, mediante oferta de contratos de investimento coletivo à margem de qualquer autorização ou registro perante a CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”.
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Para se ter ideia, de acordo com a investigação, entre R$ 2018 e 2020 passaram pelas contas da MYD Zerpa Tecnologia Eireli, empresa de Mirelis, R$ 477 milhões.Ela está na lista dos 27 maiores destinatários de recursos das contas bancárias do acusado e de sua empresa, sediada na Região dos Lagos (RJ), que receberam cerca de R$ 2,3 bilhões nos dois anos.
Ao todo, afirma o Relatório de Inteligência Financeira (RIF), ao qual O GLOBO teve acesso, as operações de Glaidson envolveram pelo menos 8.976 pessoas — sendo 6.249 físicas e 2.727 pessoas jurídicas. A partir de levantamento da Receita Federal, as 27 discriminadas são só as que, no período analisado, somaram aportes acima de R$ 20 milhões.

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