'Faraó dos Bitcoins': Justiça dá ultimato para GAS informar crédito para pagar investidores

Termina no dia 30 de junho o prazo dado pela Justiça fluminense para os advogados de Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, apresentarem a lista de clientes da GAS Consultoria e Tecnologia, o valor total devido e o montante de recursos disponíveis para ressarci-los. A expectativa do administrador da recuperação judicial, Sergio Zveiter, é de que a GAS, cabeça do grupo empresarial de Glaidson, ofereça capital suficiente para cobrir os créditos de todos os investidores, estimados em 200 mil pessoas.

Zveiter, designado pela 5ª Vara Empresarial da capital para administrar a recuperação, expediu ofícios à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (Bacen) para que informem se têm interesse em ingressar na causa, como “amicus curiae”, e indicar três instituições financeiras autorizadas para a gestão dos ativos dos réus.

A princípio, os recursos da GAS somam R$ 400 milhões em criptomoedas, imóveis, veículos e jóias bloqueados pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio, onde corre o processo contra Glaidson e seus sócios por crime contra o sistema financeiro nacional. Porém, como a investigação do caso constatou, Mirelis Zerpa, mulher do Faraó, conseguiu sacar cerca de R$ 1 bilhão em criptomoedas após a prisão do marido, em agosto do ano passado.

Mirelis, que está foragida, foi apontada ao lado do marido como responsável por um esquema de pirâmide financeira que teria arrecadado R$ 38 bilhões. Zveiter espera que esses recursos sejam devolvidos para honrar os compromissos da GAS.

O destino dos valores apreendidos divide a equipe do Ministério Público Federal no Rio (MPF-RJ) responsável pela investigação contra Glaidson. Enquanto um grupo entende que a juíza Rosália Monteiro Figueira, titular da 3ª Vara Federal Criminal, deve dar perdimento nos valores, transferindo-os para a União, outro grupo defende que devem ser repassados para a Justiça Estadual e entregues aos investidores lesados.

Na lista de ofícios expedidos nos últimos dias, Zveiter encaminhou para a Justiça Federal peças da ação civil pública, que corre na Justiça Estadual, referente à recuperação judicial. Ele explicou que as decisões tomadas até aqui pela titular da 5º Vara Empresarial, Maria da Penha Nobre Mauro, são de caráter provisório, em tutela antecipada, já que o processo de recuperação só pode começar depois que a empresa cumprir as exigências legais.

A juíza determinou, por prazo de 180 dias, a suspensão de todos os processos que bloquearam judicialmente bens de Glaidson para fins de ressarcimento. Ela agora terá de decidir se aceita o plano de recuperação ou determina a falência da GAS.

Até sexta-feira passada, o Escritório Zveiter, do administrador judicial, havia registrado a inscrição em seu site de cerca de 10 mil credores da GAS. Zveiter vai publicar um edital aos credores no Diário de Justiça Eletrônico e em Jornal de grande circulação a nível nacional para que “seja conferida ampla e irrestrita publicidade acerca dos processos e dos canais de comunicação disponibilizados pela administração judicial”.

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