Farmacêutica responde à Anvisa que vacina noticiada em revista é a mesma que pretende autorizar no Brasil

Paula Ferreira
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BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou nesta terça-feira que foi informada pela União Química, farmacêutica responsável pela Sputnik V no Brasil, de que a vacina cuja autorização para uso emergencial no país a empresa tenta obter tem o mesmo padrão do imunizante que teve eficácia de 91,6% comprovada.

Mais cedo, a Anvisa havia divulgado uma nota na qual afirmava que a vacina cuja eficácia foi publicada na revista Lancet nesta terça-feira era diferente daquele alvo do pedido da União Química.

"Após a publicação de nota hoje (2/2) pela Anvisa, o laboratório União Química informou à agência que a vacina que pretende trazer para uso emergencial terá o mesmo padrão de temperatura e conservação da desenvolvida na Rússia e que teve dados publicados na revista The Lancet. Conforme publicado a condição de temperatura e conservação indicada é de –18C", afirmou a Anvisa em comunicado na noite desta terça-feira.

Em entrevista ao GLOBO, nesta terça, o diretor de assuntos internacionais da União Química, Rogério Rosso, afirmou que a publicação na Lancet "dizima" a necessidade de prestar mais informações sobre a segurança e eficiência da vacina à Anvisa.

— Se existia a necessidade de uma publicação, ela foi publicada. O que a gente aguarda da nossa agência regulatória que a gente confia bastante é que tenhamos nos próximos dias, horas, o posicionamento favorável para autorização do uso emergencial — disse Rosso.

O GLOBO mostrou na semana passada que a farmacêutica tem demorado a responder solicitações de informação por parte da Anvisa e, até o momento, não prestou informações consideradas cruciais pela agência. No comunicado desta terça, a Anvisa voltou a destacar essas pendências. Entre os documentos, a União Química precisa fornecer relatórios de estudos clínicos da vacina que incluam dados sobre fase 3 que demonstrem ao menos 50% de eficácia.