Fase é ideal para luta anticorrupção, diz Dallagnol

JOELMIR TAVARES
Fase é ideal para luta anticorrupção, diz Dallagnol

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Duas razões ajudam a acreditar que o momento é muito propício para o combate à corrupção no Brasil, na opinião do procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol: a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) e a ida do ex-juiz Sergio Moro para o novo governo.

"Não vou avaliar o presidente eleito de modo nenhum, vou avaliar uma atitude específica dele: ele manifestou apoio em relação às dez medidas contra a corrupção, o que é um sinal ótimo de aprovação de medidas anticorrupção", disse o procurador durante palestra na tarde de terça-feira (27), em São Paulo.

"O que eu vou dizer sobre o novo ministro da Justiça? Ele é alguém extremamente eficiente, viu? E ele está indo lá justamente com essa pauta, de evitar retrocessos e promover avanços na causa contra a corrupção", prosseguiu.

Dallagnol citou o próximo presidente e o futuro titular da Justiça ao defender a necessidade de análise do pacote de medidas contra a corrupção elaborado por entidades como Transparência Internacional e Fundação Getulio Vargas.

"A gente tem a melhor conjuntura para a aprovação de um projeto como esse", falou ele sobre o conjunto levado ao Congresso em agosto.

Outras razões que Dallagnol considera favoráveis para o avanço da pauta anticorrupção são a renovação no Congresso e o fato de que parte dos eleitos se comprometeu com a tramitação do plano.

Coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná, o procurador participou do 2º Encontro sobre Ética nos Negócios, em um centro de convenções da capital paulista.

"Existirão forças contrárias poderosas, que não vão querer mudanças. Essas instituições e pessoas que querem a mudança vão precisar da tua ajuda. Você está disposto a ajudar?", indagou o paranaense à plateia, formada por executivos e estudantes.

"Este é um momento especial no nosso país, nesta conjuntura crítica em que a gente vive, na luta contra a corrupção e na luta pela reafirmação da democracia", discursou.

O procurador se mostrou cético quanto à ideia de que a Lava Jato é um divisor de águas. "Vocês estão errados se vocês pensam assim. A Lava Jato é, sim, um passo na direção certa, do império da lei, do Estado de Direito, mas não é um passo suficiente", falou.

"O que ela faz é tirar maçãs podres do cesto. Mas não basta retirar as maçãs podres do cesto. Você precisa mudar o ambiente."