Fatia do 1% mais rico do mundo ficou com quase dois terços da riqueza gerada desde 2020, aponta Oxfam

A parcela 1% mais rica do mundo ficou com quase dois terços de toda a riqueza gerada desde 2020. Esse grupo de super-ricos abocanhou cerca de US$ 42 trilhões -- seis vezes mais dinheiro que 90% da população global (pouco mais de sete bilhões de pessoas) conseguiu no mesmo período.

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Na última década, esse mesmo 1% ficou com cerca de metade de toda a riqueza criada globalmente. É o que revela o novo relatório da Oxfam, que será lançado nesta segunda-feira no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça.

A máxima de que "o de cima sobe, e o de baixo desce" nunca foi tão real. Pela primeira vez em 30 anos, a riqueza extrema e a pobreza extrema cresceram ao mesmo tempo.

O estudo da Oxfam, intitulado “A sobrevivência do mais rico – por que é preciso tributar os super-ricos agora para combater as desigualdades", defende que haja um amplo e sistêmico aumento na tributação dos bilionários.

Segundo a organização não governamental, que atua em prol do combate às desigualdades, décadas de cortes de impostos para os mais ricos e grandes corporações alimentaram as disparidades no mundo, levando os mais pobres a pagarem mais impostos, proporcionalmente, do que os bilionários.

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No Brasil, 85% da população defendem taxação de ricos

A ONG lembra ainda que, segundo dados da pesquisa "Nós e as desigualdades 2022", 85% da população brasileira defendem uma maior taxação dos mais ricos para que o Estado tenha a capacidade de financiar serviços públicos de qualidade para quem mais precisa.

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Hoje, há 284 bilionários no Brasil, segundo a revista "Forbes", enquanto o país é um dos únicos no mundo que não tributa lucros e dividendos.

— O Brasil enfrenta uma das maiores crises orçamentárias da sua História. É fundamental que aqueles que vêm sendo privilegiados há anos passem a dar sua contribuição — afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

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Segundo a Oxfam, um imposto anual, de até 5%, sobre a fortuna dos super-ricos poderia arrecadar US$ 1,7 trilhão por ano no mundo.

Esse valor seria suficiente para tirar dois bilhões de pessoas da pobreza, financiar os apelos humanitários hoje existentes no mundo, entregar um plano de dez anos para acabar com a fome no planeta, apoiar os países mais pobres que estão sendo devastados pelo aquecimento global e ainda garantir saúde pública e proteção social para todos que vivem em nações de renda baixa e média.

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Para Jefferson Nascimento, coordenador da área de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil, a discussão que se impõe cada vez mais é o incremento da taxação dos muito ricos e das grandes corporações, inclusive no Brasil:

— A reforma tributária vem sendo considerada prioritária para o novo governo Lula, e esperamos que o Congresso aprove um novo sistema tributário que garanta o financiamento necessário aos estados para que possam oferecer mais e melhores serviços e políticas públicas às suas populações.