Fatia do comércio eletrônico nas vendas do varejo estaciona no segundo trimestre

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.08.2019: Balcão de entrega e distribuição de pedidos de comida da Delivery Center, no shopping Villa Lobos, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.08.2019: Balcão de entrega e distribuição de pedidos de comida da Delivery Center, no shopping Villa Lobos, em São Paulo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O avanço da vacinação e a queda do número de óbitos por Covid-19 têm contribuído para o retorno das atividades presenciais. Com mais lojas abertas e sem restrição de horário, o consumo no varejo físico cresceu 47,2% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado, informa o terceiro relatório de Análise de Comportamento de Consumo do Itaú Unibanco.

O aumento das vendas no varejo físico no segundo trimestre superou a alta nas vendas do varejo online no período, que foi de 43,2%. Com isso, a fatia das vendas online no bolo total ficou praticamente estacionada em 21,1%. No segundo trimestre de 2020, a fatia do online foi 21,5%.

"Isso me surpreendeu, achei que o varejo online iria crescer em participação", disse o diretor de estratégia e engenharia de dados do Itaú Unibanco, Moisés Nascimento, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (24) para apresentar o relatório.

O especialista diz que ainda é cedo para saber se este é um movimento de desaceleração no varejo eletrônico. "Precisamos de pelo menos mais dois trimestres para termos esta perspectiva".

Os gastos com compras no varejo total (incluindo físico e online) no segundo trimestre cresceu 46,4% na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2019, sem pandemia, o aumento foi de 26,5%.

"Vemos uma tendência positiva de retomada do varejo", disse Nascimento.

No segundo trimestre deste ano, os setores com maior crescimento na comparação anual no varejo físico foram atacadistas (alta de 35,4%) e construção (31,6%). Já nas compras online, os maiores destaques foram saúde, bem-estar e veterinários (97,3%) e alimentação (38,2%).

"Neste último caso, vemos as compras de comida por delivery e as compras de supermercado crescendo de maneira consistente, o que consolida novos hábitos de consumo", afirma Nascimento.

O especialista destaca que as pessoas estão se cuidando mais: o segmento de bem-estar, por exemplo, que envolve serviços de pedicure e manicure, spas, massagistas e centros estéticos cresceu 90,7% no segundo trimestre de 2021 e já supera o nível pré-pandemia, do segundo trimestre de 2019.

O executivo também chama a atenção para as vendas de agências matrimoniais e buffets: alta de 97,4% no faturamento, em comparação ao mesmo intervalo de 2020. Em relação a 2019, porém, houve queda de 51%. "As pessoas estão saindo do isolamento para o altar", diz Nascimento.

Com a volta das cerimônias, segmentos como aluguéis de roupa e joalherias também cresceram: 214,9% e 129,9%, respectivamente.

O turismo, que teve queda de 90% no faturamento no pior momento da pandemia, está entre os setores em ritmo de retomada: crescimento de 257,3% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo intervalo de 2020. Houve salto nas vendas das companhias aéreas e do setor hoteleiro (hotéis, motéis e pousadas) de 237,1% e 255,8%, respectivamente. Ainda assim, a demanda está abaixo do patamar pré-pandemia.

O setor de locomoção e transporte (transporte de passageiros, postos de combustíveis, recarga de cartões como o Bilhete Único, multas de trânsito, estacionamentos e pedágios) apresentou aumento de 98,4% no segundo trimestre deste ano, em relação ao ano anterior.

Os serviços de mudança tiveram um aumento de 67,1% na comparação anual. "Isso sugere que as pessoas continuam buscando residências com mais espaço ou conforto, para uma rotina de home office mais agradável", diz Nascimento.

Os dados reunidos pelo Itaú Unibanco se referem às compras feitas com cartões emitidos pela instituição e às vendas transacionadas pela Rede, sua empresa de meios de pagamento.

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