Fator Alexandrino volta a assombrar tríade Lula-Dilma-Temer

Claudio Tognolli

 

 

 

Marcelo Odebrecht. Foto: Cicero Rodrigues/ World Economic Forum (15/04/2009)

 

Lula e Alexandrino

Em agosto de 2016 este blog trouxe a periculosidade que era, para o PT, a boca rota de Alexandrino Alencar: chamei a tudo de O Fator Alexandrino. Confira:

http://bit.ly/2ni1qbU

O fator Alexandrino: um perigo para Lula. Por Cláudio Tognolli

Vamos explicar Alexandrino…

No dia 19 de junho de 2015 a Polícia Federal deflagrou a 14ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Erga Omnes, contra as construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez. Cerca de 220 agentes cumpriram doze mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em quatro estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul). Alvos de mandados de prisão preventiva, o diretor-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, já haviam sido presos. Naquele dia foram expedidos mandados de prisão preventiva contra o diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, apontado por delatores do Petrolão como operador de propina na empreiteira, o diretor Rogério Araújo, da Odebrecht Plantas Industriais e Participações, e o executivo Márcio Faria, citado por delatores como o contato da construtora no Clube do Bilhão.

Alexandrino Alencar viajou com Lula e lhe pagou as passagens

Lembrando o vínculo: em 13 de abril de 2015, a Odebrecht esclareceu, em nota divulgada no jornal O Globo, ter pagado por uma viagem de Lula em 2013. Segundo a nota, tudo  porque o ex-presidente realizou uma palestra “para empresários, investidores, políticos e formadores de opinião”. O roteiro da viagem passou por Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, conforme noticiou o Globo naquele domingo 12 de junho de 2015.

Lula viajou acompanhado do diretor de Relações Institucionais da construtora, Alexandrino Alencar, que é apontado por três delatores da Lava Jato como sendo o operador do pagamento de propinas para a empreiteira no exterior. Aliás, você pode até ver que o nome dele está no comunicado da Odebrecht no Globo.

Segundo a Líder Táxi Aéreo, responsável pelo voo em que estava Lula, foi pedido sigilo pela contratante.

O Instituto Lula confirmou a palestra concedida pelo ex-presidente e esclareceu que nem sempre a organização divulga na agenda oficial a participação do petista em eventos privados. Questionado sobre seu relacionamento com Lula, Alexandrino Alencar respondeu que “conhece o ex-presidente Lula e sempre teve com ele uma relação de cordialidade e respeito”.

Na nota, a Odebrecht afirmou que “é de conhecimento público e já esclarecido inúmeros vezes para a imprensa (…) que nossa empresa patrocinou, sim, algumas palestras de ex-presidentes (Fernando Henrique Cardoso, Lula e o espanhol Felipe Gonzalez) no Brasil e no exterior. São ações remuneradas para participações em eventos públicos, absolutamente legítimas e transparentes”, diz o texto.

Veja a inicial contra Alexandrino:

 

http://www.prpr.mpf.mp.br/pdfs/2015-1/lava-jato-1/24-07-Denuncia_Odebrecht.pdf

Bem: em 3 de março passado  ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis, que depôs nesta quinta-feira no processo que pode levar à cassação da chapa Dilma-Temer, disse que a empreiteira repassou 4 milhões de reais em recursos de caixa 2 para “consolidar” o apoio do PDT à chapa nas eleições presidenciais de 2014. A informação reforça a revelação de VEJA feita no início de fevereiro (edição 2.516), na matéria “Apoio comprado com dinheiro sujo”.

De acordo com Reis, o então presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht pediu que ele procurasse Alexandrino de Alencar, ex-executivo da empresa, porque este “precisava de apoio”. A ajuda, segundo Reis, seria pela proximidade que ele teria com lideranças do PDT para que o partido aceitasse os 4 milhões de reais em troca de consolidar sua participação na coligação de Dilma-Temer.

 

Bem… nesta quinta-feira a Folha de S. Paulo denunciou:  o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht,  Alexandrino Alencar disse, em depoimento aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, que a as obras na casa e no lago do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, interior de São Paulo, frequentado pela família do ex-presidente Lula duraram um mês, segundo informações publicadas pelo jornal.

Segundo o ex-executivo, as obras feitas pela Odebrecht começaram no dia 15 de dezembro de 2010 e terminaram no dia 15 de janeiro seguinte. Formalmente, o sítio pertence a Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do ex-presidente.

OUTRO LADO

No dia 28 de março, a Líder Aviação enviou um posicionamento reproduzido abaixo.

“A Líder Aviação esclarece que, ao contrário do que foi publicado no Yahoo! Notícias, no dia 3 de março de 2017, não foi contatada, tampouco relatou, ao veículo, suposto pedido de sigilo pelo contratante do voo da referida matéria. A empresa tem, por política, não comentar ou abrir informações sobre quaisquer de seus clientes.”