Favelas do Rio têm maior número de novos casos de Covid-19 em quatro meses, aponta painel

Arthur Leal
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Foto: Luiza Moraes em 24-7-2020 / Agência O Globo

RIO — Nesta terça-feira, as favelas do Rio tiveram o dia com mais casos confirmados de coronavírus em quatro meses, de acordo com levantamento feito pelo jornal Voz das Comunidades. Segundo o painel "Covid-19 nas Favelas", em 24 horas foram 325 infectados e 2 mortes em comunidades da cidade. Ao todo, o boletim afirma que 10.990 moradores de áreas carentes já tiveram a doença e 1.042 perderam a vida por conta dela. Ainda não houve atualização nesta quarta-feira.

De segunda para terça-feira, as comunidades que mais tiveram casos confirmados da doença foram: Complexo do Alemão (111 casos), São Carlos (39 casos), Complexo da Penha (38 casos), Vila Kennedy (25 casos), Santa Marta (21 casos), Morro da Formiga (18 casos) e Mandela (15 casos). Metade das oito mortes aconteceu na Cidade de Deus e na Vila Kennedy. Os outros quatro óbitos foram registrados no Alemão, Tavares, Vila Vintém e Complexo da Penha.

Os números acendem um alerta, mas, no geral, ainda são considerados baixos, se comparados a demais áreas da cidade ou à expectativa negativa criada por especialistas por conta de todos os problemas já conhecidos em favelas por ausência do poder público. A falta de testagem, por exemplo, já foi um dos fatores usados para explicar tal discrepância. Ao EXTRA, o médico epidemiologista da Secretaria Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, disse que há indícios de que a população mais pobre possa, sim, ter sido mais afetada pelo coronavírus, ainda que tenha morrido menos.

— Precisamos entender os dados melhor para saber se ao longo da pandemia as favelas foram pouco afetadas. Mas você tem uma característica que a faixa etária nas favelas é menor do que quando você compara com Copacabana e Tijuca, por exemplo, que têm uma proporção de idosos maior e de doenças crônicas maior. Essa idade média menor faz com que você tenha pessoas menos suscetíveis a formas graves da doença, uma vez que o coronavírus está muitorelacionado a fatores de risco — disse. — A gente tem que estudar, mas elas (favelas) foram muito afetadas. Alguns estudos mostram que na primeira onda as comunidades foram proporcionalmente mais afetadas que os bairros, não em termos de óbitos, mas de casos.

O médico afirma que, num dos estudos realizados por sua equipe no começo da pandemia, foi possível concluir que moradores das comunidades tinham mais anticorpos para Covid-19 do que os de áreas ricas, o que indicaria maior incidência do vírus.

— Fizemos estudos de soroprevalência no começo da pandemia, que mostraram que a prevalência de anticorpos na população de baixa renda era maior que na população de alta renda. Mostrando que estas pessoas foram mais afetadas, mas não necessariamente morreram mais.

Os dados do painel do Voz das Comunidades começaram a ser atualizados no dia 10 de abril do ano passado, e, de acordo com o veículo, o levantamento é atualizado a partir de informações da Prefeitura do Rio de Janeiro e Governo Estadual do Rio de Janeiro, Clínica da Família Zilda Arns, Clínica da Família Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria – ENSP, Clínica da família Victor Valla, Clínica da Família Maria do Socorro Silva e Souza, Clínica da Família Valter Felisbino de Souza, Unidade de Saúde da Familia João Candido, Clínica da Família Anthídio Dias da Silveira, Clínica da Família Rinaldo De Lamare e Cms Dr Albert Sabin. O Voz das Comunidades mudou no dia 11 de julho a metodologia de busca os dados. Antes, a contagem era feita através dos dados do painel feito pela prefeitura, agora os dados são computados através do CEP, divulgado pelo data.rio.