Favoritas, Pâmela Rosa e Rayssa Leal colocam 'clutch time' à prova em busca do título mundial do Skate Street

O "clutch time" é uma expressão famosa nos esportes americanos por se tratar do momento chave dos jogos onde é necessário ser mais decisivo. No futebol, são os minutos finais de uma partida. No basquete, o último arremesso. No skate, é o Super Crown Championship, que acontece hoje, na Arena Carioca 1. Líderes da temporada e favoritas, Rayssa Leal e Pâmela Rosa estão nesse momento chave e terão que confirmar a sua superioridade para ficar com o título mundial do Skate Street.

A palavra que pode resumir a temporada de Rayssa Leal até aqui é domínio. A maranhense de Imperatriz venceu todas as etapas da Liga Mundial até aqui — em Jacksonville, Seattle e Las Vegas. Cada vez mais madura apesar dos 14 anos, a brasileira vem se confirmando como um talento geracional e aumentando a expectativa para que exerça um domínio no skate feminino nos próximos anos. Falta, no entanto, o título mundial.

A Fadinha já é a segunda maior campeã do skate street — venceu seis etapas, assim como o japonês Yuto Horigome, e está apenas do norte-americano Nyjah Huston, que conquistou 24. Mas além das boas campanhas, ela terá que confirmar o favoritismo no momento decisivo. Na temporada passada, Rayssa venceu as duas etapas do Circuito Mundial, mas acabou ficando em segundo lugar no Super Crown Championship. Regulamento confuso, que incomoda as vezes, mas que é seguido assim há anos.

— A arena vai estar lotada. Vamos ter muito apoio, muita torcida. Pâmela sempre me disse que, na pista, sou eu e meu skate. Se não me engano, nós fizemos várias dobradinhas em 2020, 2021. Espero repetir agora no Super Crown — conta Rayssa, que rechaça a pressão pela conquista do título mundial.

— Não tem pressão. Estou tranquila. Estou fazendo o que eu amo. Estou com meus amigos, evoluindo... Os resultados são do que eu ando fazendo, de como ando treinando. Mas a felicidade mesmo é que todos [os resultados] foram muito bons desde a Olimpíada. Espero que seja igual no Rio — completou a Fadinha, após brincar dizendo que "foi aprovada no colégio".

Por outro lado, Pâmela Rosa sabe que precisará andar melhor do que nas etapas anteriores se quiser ser tricampeã mundial. No feminino, seria um feito inédito. Entre os homens, apenas Nyjah Huston conseguiu. A seu favor, a paulista de 23 anos pode ser considerada o maior exemplo da expressão "clutch time" do skate feminino atualmente. Tanto que, além do fato de ser a atual bicampeã do mundo, esse fator também a mantém como uma séria candidata ao título.

Pâmela venceu três etapas de SLS desde que estreou profissionalmente. Número que pode ser visto como normal para um desaviado. Porém, as conquistas foram especialmente importantes. Duas delas foram em Super Crowns, que a coroaram campeã mundial nas temporadas de 2019 e 2021 — não foram disputados torneios em 2020 devido à pandemia da Covid-19. Ou seja, nos momentos chaves da temporada, Pâmela brilhou.

— Estou bem tranquila. Graças a Deus já participei de quatro Super Crowns. Estamos no nosso país e vai ser incrível. Estou bem feliz de estar aqui — disse Pâmela, antes de comentar sobre a pista. — Todos os obstáculos estão bem difíceis. Conseguimos enxergar ontem, mas o mais difícil é esse corrimão, que parece meio novo para a gente. A pista está bem completa, tem obstáculos pequenos e grandes.

Rayssa e Pâmela já estão classificadas antecipadamente para a final do Super Crown Championship por terem ficado em 1º e 2º lugar, respectivamente, na pontuação geral. Elas, assim como as japonesas Yumeka Oda e Momiji Nishiya, não precisarão disputar as semifinais e só entrarão na pista no domingo. Todas as outras skatistas, o que inclui as brasileiras Gabriela Mazetto e Marina Gabriela, terão que lutar pelas quatro vagas restantes.

Entre os homens, as principais esperanças brasileiras são Kelvin Hoefler, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, e Felipe Gustavo. Atual vice-campeão mundial da Street League, Lucas Rabelo será ausência por conta de uma lesão. Os brasileiros terão como principais adversários os japoneses Yuto Horigome Sora Shirai, o português Gustavo Ribeiro e o francês Vincent Milou.