Fazendeiros franceses instalam ventiladores gigantes contra 'estresse térmico' das vacas no calor

AFP - SEBASTIEN BOZON

4,5 metros de diâmetro... Esse é o tamanho dos dois ventiladores gigantes instalados em uma fazenda com 35 vacas leiteiras em Monts du Lyonnais, no leste da França, para tentar reduzir o estresse térmico delas em meio a uma gigantesca onda de calor no país. As vacas bebem em média cerca de 180 litros de água por dia para se hidratar. Com as mudanças climáticas, uma em cada cinco fazendas francesas já deu início a esse processo para proteger o gado e manter a produção.

As vacas Lila, Glee, Pistache e o resto do rebanho de Nicolas Joannon em Saint-Martin-en-Haut, na região do Rhône, no leste da França, se deitam na palha para a soneca diária, depois de terem comido uma refeição com milho, grama e cereais.

A uma altitude de 780 metros, a temperatura externa de 34°C é muito alta para animais acostumados a temperaturas em torno dos 22°C. Dentro da fazenda, dois ventiladores gigantes oferecem um pouco de descanso e tranquilidade aos bichos, baixando o termômetro em alguns graus.

"Devido às mudanças climáticas, os agricultores estão constantemente se adaptando", explica o fazendeiro. "Quando as temperaturas sobem, os animais ficam sob estresse térmico, tendem a se alimentar menos e produzir um pouco menos de leite", continua o agricultor de 34 anos, que assumiu o controle da fazenda familiar.

"Se as colocarmos em boas condições para superar a onda de calor, elas recuperarão seu nível inicial de desempenho e continuarão a produzir leite de qualidade para os consumidores", garante o produtor, que administra 45 hectares em sua fazenda.

As vacas leiteiras são muito sensíveis à temperatura. A partir de 22°C e 50% de umidade, elas acumulam calor em seus corpos com impacto direto na produção de leite, em média entre 28 e 38 litros por dia por vaca. O aumento de temperatura pode resultar em uma perda diária de até dois litros por animal.

A fim de protegê-las, Nicolas instalou dois ventiladores acima dos cubículos de seu rebanho, em 2020. Um investimento de € 9 mil (cerca de R$ 45,8 mil). As hélices do ventilador giram automaticamente de acordo com a temperatura. Quanto mais quente fica, mais rápido elas giram.

Em meio ao barulho dos dois ventiladores, o fazendeiro fica satisfeito que seus animais tenham recuperado sua energia "desde que os ventiladores foram instalados". "A 22°C, a vaca pode se adaptar, mas de 28°C a 30°C, ela vai necessariamente sofrer", explica Alexandre Batia, 44 anos, chefe de ventilação do Rhône Conseil Élevage, uma associação que aconselha os criadores.

180 litros de água por dia

"Há cada vez mais pedidos de criadores de gado que querem instalar seus ventiladores aqui na região" e cerca de uma em cada cinco fazendas na França já deu início ao processo, acrescenta Batia, que ajudou Nicolas a montar seu negócio.

Entretanto, estes dispositivos devem ser utilizados para complementar as "boas práticas": "os agricultores devem favorecer a alimentação noturna ou a instalação de maispoços extras", já que as vacas podem beber até 180 litros de água por dia.

"Até agora, isto tem sido mais um problema nas regiões do sul, mas "hoje percebemos que mesmo em Hauts-de-France ou no Finistère (no norte), as temperaturas estão aumentando muito, muito intensamente", observa Bertrand Fagoo, gerente de projetos do Instituto francês de pecuária (Idele).

Para este especialista, a instalação de ventiladores é um "fator secundário de melhoria", que deve ser realizado após a abertura da estrutura do estábulo e o fornecimento de mais sombra. "Não se deve agitar o ar quente e velho em um recinto fechado", insiste o pesquisador de 53 anos.

Espalhar água com ventiladores sobre os animais também pode ser outra opção, mas essa estratégia vem com o risco de elevar o nível de umidade no estábulo, adverte Batia. Segundo ele, também é aconselhável "ventilar as estruturas de forma homogênea", "caso contrário, as vacas se aglomeram nas áreas mais favoráveis, bloqueando a circulação e acumulando calor, o que não é o objetivo".

(Com informações da AFP)

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