Fazendo nada: atrizes protestam contra falta de políticas culturais diante de teatros

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RIO — Quem passar pela porta do Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, nesta quarta-feira, entre 17h e 18h, verá uma cena insólita: as atrizes Ana Paula Novellino e Cristina Fagundes de máscara, sentadas num banquinho sem texto, sem cenário, sem figurino, fazendo nada. Aliás, (não) encenando o “Não-espetáculo — O teatro possível”, iniciativa criada por elas para provocar uma reflexão sobre as limitações do fazer artístico nesta pandemia: por falta de verba, de políticas culturais e de condições de saúde.

— Queremos que haja um debate sobre o que está acontecendo com a classe artística, tão penalizada nesta pandemia, e que sejam promovidas políticas públicas que nos contemplem — afirma Cristina, que é também autora e diretora e em 2021 completa 25 anos de carreira.

Antes de chegar ao Villa-Lobos, fechado e abandonado desde 2011, quando pegou fogo, o protesto passou pelos teatros Glaucio Gill, também em Copacabana; Sérgio Porto, no Humaitá; e Café Pequeno, no Leblon — estes, nas ocasiões, fechados por conta das restrições impostas pelo avanço da Covid-19.

— Não queremos promover aglomeração, apenas fazer um manifesto. O que acontece é muito pouco e emocionante. Sentimos um misto de tristeza, porque estamos fora do palco, nosso lugar, e esperança, por conseguirmos botar o dedo na ferida de alguma forma — diz ela, que mora no Humaitá.

O ator e produtor cultural José Alessandro, morador de Copacabana, conta que sentiu uma “angústia empática muito grande” ao acompanhar a (não) performance diante do Glaucio Gill:

— Eu me coloquei no lugar de tantos profissionais da arte que desde março de 2020 estão sem poder vivenciar suas vocações plenamente.

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