Fazendo turnê e vencendo Grammys: os últimos anos de Erasmo Carlos

Erasmo Carlos no Latin Recording Academy Special Awards durante a The 19th Annual Latin Grammy Awards em novembro de 2018 em Las Vegas, Nevada. (Foto: John Parra/Getty Images for LARAS)
Erasmo Carlos no Latin Recording Academy Special Awards durante a The 19th Annual Latin Grammy Awards em novembro de 2018 em Las Vegas, Nevada. (Foto: John Parra/Getty Images for LARAS)

O cantor e compositor Erasmo Carlos morreu nesta terça-feira (22), aos 81 anos, no Rio de Janeiro. O artista tratava de uma síndrome edemigênica, doença em que os líquidos ficam retidos nos vasos sanguíneos e pode ter origem cardíaca e renal.

Os últimos anos do Tremendão, como era conhecido pelos fãs, foram agitados e de muito trabalho, na música e também na TV. Relembre os últimos projetos do artista:

Último disco

Em fevereiro deste ano, Erasmo Carlos lançou “O Futuro Pertence À… Jovem Guarda”, disco com oito músicas em que regravou oito canções lançadas entre 1964 e 1966 nas vozes de artistas da Jovem Guarda. O projeto apresenta novas versões de grandes sucessos como “O Bom”, “A Volta”, “Nasci Pra Chorar” e “Alguém na Multidão".

Vencedor do Grammy Latino

Há cinco dias, Erasmo Carlos venceu um dos maiores prêmios da música: o Grammy Latino. Ele levou a melhor na categoria "Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa" com "O Futuro Pertence à... Jovem Guarda".

Ele não marcou presença na cerimônia de entrega do prêmio, que ocorreu em Las Vegas, nos Estados Unidos, mas agradeceu através de uma postagem no Instagram. “É tão importante entender o conceito, quanto ouvir a música… Existem várias de amor, e eu preciso de todas”, escreveu. “Obrigada a todos que contribuíram para mais essa vitória, esse Grammy é o reconhecimento do nosso trabalho. O Futuro Pertence à Jovem Guarda”.

Turnê pelo Brasil

Após o lançamento do álbum, o artista deu início em março a turnê "O Futuro Pertence à... Jovem Guarda". Os shows passaram por São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Ceará e Espírito Santo, incluindo festivais como o João Rock. O músico tinha shows confirmados em quatro cidades dos Estados Unidos, Orlando, Miami, Boston e Nova York, mas as apresentações já haviam sido adiadas devido ao estado de saúde de Erasmo.

Do rock ao rap

Erasmo Carlos foi um dos pioneiros do rock brasileiro, mas suas contribuições à música brasileira não ficam limitadas a um único gênero musical. No disco “Amor é Isso”, lançado em 2018, o artista contribuiu com grandes nomes da cena nacional: Marcelo Camelo, que já foi vocalista e guitarrista das bandas Los Hermano e Banda do Mar, e também com o rapper Emicida.

Carreira no Cinema

Em 2020, o artista interpretou o avô de Larissa Manoela em "Modo Avião", filme adolescente da Netflix. A história acompanha a jovem Ana, uma estudante de moda que é enviada para passar um tempo no interior na casa de seu avô, Germano, para se desconectar das redes sociais e entra em um processo de autoconhecimento.

Nascido no Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1941, Erasmo Carlos deixa um legado de mais de cinco décadas de carreira. Um dos pioneiros do rock brasileiro, ele foi o maior parceiro musical de Roberto Carlos com diversas composições e produções em conjunto, como os clássicos "Minha Fama de Mau", de 1965, "É Preciso Saber Viver", de 1968, "É Proibido Fumar", de 1972, e "Sentado à Beira do Caminho", de 1980.

Inspirado principalmente por Elvis Presley, o cantor chegou a integrar a banda Renato e Seus Blue Caps na década de 1960 com versões brasileiras de músicas internacionais. Anos depois, elencou o trio formado por ele, Roberto Carlos e Wanderleia no icônico programa Jovem Guarda, onde foi apelidado de Tremendão.

Wanderléia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos na comemoração de 50 anos de carreira de Roberto na Globo (Rafael França/TV Globo)
Wanderléia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos na comemoração de 50 anos de carreira de Roberto na Globo (Rafael França/TV Globo)

O projeto da Record TV encabeçou o movimento cultural a partir de 1965, marcado pela ascensão do rock e influências de grupos gringos como os Beatles. Essa irreverência ditou a música, o comportamento e a moda de gerações fascinadas pelos três cantores e apresentadores.

Com mais de 600 músicas gravadas em mais de 30 discos, Erasmo fica eternizado na voz de grandes sucessos como "Filho Único", "Mulher (Sexo Frágil)", "Gatinha Manhosa", "Festa de Arromba" e "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo", que marcaram os longos anos de sua trajetória musical.

Em 2019, o artista ganhou uma cinebiografia estrelada por Chay Suede com a história de seus primeiros passos na estrada musical até virar um dos maiores símbolos do rock nacional. "Pô, bicho. Você me fotografou muito bonzinho. Eu era um pouco mais mauzinho", brincou Erasmo Carlos, como contou o diretor Lui Farias ao "UOL", quando viu o filme pela primeira vez.

Erasmo Carlos arrives at the Latin Grammy special merit awards at the Four Seasons Hotel, Tuesday, Nov. 13, 2018, in Las Vegas. (Photo by Eric Jamison/Invision/AP)
Erasmo Carlos na edição de 2018 do Grammy Latino, em Las Vegas (Foto: Eric Jamison/Invision/AP)

Seu último álbum foi lançado no início de 2022, intitulado "O Futuro Pertence À...jovem Guarda". O disco fechou sua carreira com chave de ouro ao trazer releituras de hits de artistas da Jovem Guarda e foi celebrado com um Grammy Latino.