FBI buscou documentos sobre armas nucleares na casa de Trump, diz Washington Post

Residência do ex-presidente dos EUA Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida

Por Sarah N. Lynch

WASHINGTON (Reuters) - Agentes federais dos Estados Unidos estavam procurando documentos relacionados a armas nucleares quando fizeram buscas na casa do ex-presidente norte-americano Donald Trump na Flórida nesta semana, disse o jornal Washington Post nesta quinta-feira.

Não ficou claro se tais documentos foram recuperados na propriedade de Mar-a-Lago do ex-presidente em Palm Beach, disse o Post. A Reuters não pôde confirmar imediatamente a reportagem.

O Departamento de Justiça dos EUA pediu a um juiz na quinta-feira que tornasse público o mandado que autorizou a busca do FBI em Mar-a-Lago, depois que Trump, um republicano, a retratou como uma resposta política.

O pedido significa que o público poderá em breve saber mais sobre o que os investigadores estavam procurando durante a busca sem precedentes na casa de um ex-presidente.

A busca foi parte de uma investigação sobre se Trump removeu ilegalmente documentos da Casa Branca quando deixou o cargo em janeiro de 2021, alguns dos quais o Departamento de Justiça acredita serem confidenciais.

O procurador-geral e secretário de Justiça dos EUA, Merrick Garland, indicado pelo presidente democrata Joe Biden, disse em entrevista coletiva que aprovou pessoalmente a busca. O Departamento de Justiça também busca tornar público um recibo redigido dos itens apreendidos.

"O departamento não toma tal decisão de ânimo leve. Sempre que possível, é prática padrão buscar meios menos intrusivos como alternativa a uma busca, e limitar de forma restrita qualquer busca realizada", disse Garland.

Uma fonte familiarizada com o assunto disse que o FBI recuperou cerca de 10 caixas da propriedade de Trump durante a busca.

Trump não estava na Flórida no momento da busca.

O governo tem até as 16h (horário de Brasília) desta sexta-feira para informar ao tribunal se os advogados de Trump se oporão à divulgação do mandado. O caso está diante do juiz Bruce Reinhart, que revisou o mandado para garantir que o Departamento de Justiça tivesse uma causa provável suficiente para a busca.

Ao tentar abrir o mandado, o Departamento de Justiça não pediu ao juiz para divulgar a declaração juramentada em apoio ao mandado, cujo conteúdo poderia incluir informações confidenciais.

Dois dos advogados de Trump, Evan Corcoran e John Rowley, não responderam a um pedido de comentário.

Em uma declaração anterior em sua rede social Truth, Trump disse: "Meus advogados e representantes estão cooperando totalmente, e relacionamentos muito bons foram estabelecidos. O governo poderia ter o que quiser, se tivermos".

(Reportagem de Sarah N. Lynch e Karen Freifeld; reportagem adiconal de Andy Sullivan, David Morgan, Mike Scarcella, Kanishka Singh, Eric Beech, Steve Holland e Dan Whitcomb)